MtGox, outrora um dos grandes sites de bitcoins, vai ser liquidado

Utilizadores sem garantias de reaverem qualquer montante.

Uma máquina no Canadá permite comprar bitcoins
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Uma máquina no Canadá permite comprar bitcoins Andy Clark /Reuters

O site japonês MtGox, que foi até ao início do ano um dos maiores para compra e venda de bitcoins em todo o mundo, vai ser liquidado, decretou um tribunal de Tóquio, que rejeitou a possibilidade de a empresa, que colapsou em Fevereiro, ser reestruturada.

Ao abrigo da lei japonesa, a empresa deixou de poder gerir os seus bens e fazer quaisquer pagamentos. O presidente executivo, Mark Karpeles (um francês de 28 anos), não pode exercer funções e a companhia está a ser administrada por um advogado nomeado pelo tribunal.

Um comunicado publicado no site nesta quarta-feira explica que se poderá seguir um processo de insolvência e que, nesse caso, os utilizadores do site, que ficaram sem acesso aos fundos, poderão tentar recuperar pelo menos parte do respectivo dinheiro. Mas a mensagem não dá qualquer garantia aos utilizadores que, em conjunto, perderam largos milhões de euros. O documento especifica que ainda não está decidido se haverá uma reunião de credores – o MtGox tinha utilizadores em vários países – e avisa que, mesmo que a informação no site indique a uma pessoa que esta tem um saldo disponível em bitcoins, isto “nem sempre significa que a empresa o considere um credor ou utilizador”.

O MtGox, onde era possível comprar, vender e guardar bitcoins, a divisa digital que ganhou popularidade no último ano, encerrou em Fevereiro. A empresa comunicou então que 850 mil bitcoins – cujo preço oscila muito e que valem hoje cerca de 315 milhões de euros – tinham desaparecido sem que se soubesse o motivo. A maioria dos fundos era de utilizadores e uma pequena parte da própria empresa. Recentemente, foram encontradas, nos sistemas informáticos do site, bitcoins no valor de 75 milhões de euros.

O desaparecimento dos fundos do MtGox está por explicar e a justiça dos EUA, país onde a empresa tinha uma subsidiária e onde o caso também está a ser investigado, chamou Mark Karpeles a depor. Porém, de acordo com um email dos advogados citado nesta quarta-feira pela imprensa americana, Karpeles não tenciona sair do Japão. O presidente executivo tem afirmado que a perda dos fundos se deveu a problemas técnicos, que permitiram que os montantes fossem roubados. A confirmar-se, não é o primeiro caso de fraudes informáticas relacionadas com bitcoins. Muitos utilizadores, no entanto, têm manifestado desconfiança em relação a esta versão do caso.

O encerramento do MtGox e os múltiplos avisos de autoridades e bancos centrais de vários países em relação aos riscos das bitcoins parecem ter dissuadido pelo menos alguns utilizadores, o que se reflectiu no preço da moeda. Em Fevereiro, o mês em que os problemas do MtGox surgiram, o preço desceu de perto de 890 dólares para 550 dólares, segundo o serviço de monitorização de preços Winkdex, criado pelos dois irmãos que processaram o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e que dizem ter milhões investidos em bitcoins. Nesta quarta-feira, ao início da tarde, o valor rondava os 514 dólares – longe dos picos acima dos mil dólares registados em Dezembro do ano passado, mas muito superior aos 78 dólares de há um ano.

O interesse na moeda, que funciona de forma independente de qualquer autoridade central e que é gerada automaticamente numa rede de computadores, tem motivado o aparecimento de novos serviços. Uma empresa de bitcoins chinesa anunciou agora ter criado a primeira máquina automática do país para compra de bitcoins, instalada dentro de um café num centro comercial. Tal como uma máquina semelhante no Canadá, é possível depositar dinheiro para comprar bitcoins, mas não é possível levantar quaisquer fundos.