Matosinhos aposta no design para transformar a cidade

Vasta área urbana será transformada num design district. O projecto arranca com a reabilitação de cinco edifícios. A partir deles a câmara e a ESAD querem fazer nascer a “capital nacional do design”.

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A Galeria de Arte Quadra é uma das estruturas dinamizadas Fernando Veludo

O espaço urbano da chamada Quadra Marítima em Matosinhos – uma ampla área normalmente atribuída ao espaço entre a Rua Álvaro Castelões e o Porto de Leixões – vai ser transformado, em breve, num centro urbano dedicado ao design. O projecto, apresentado na quarta-feira pela autarquia, passa pela requalificação de, pelo menos, cinco edifícios, que serão pólos dinamizadores daquele objectivo da Câmara de Matosinhos (CMM).

Para o presidente da autarquia, Guilherme Pinto (independente que se desfiliou do PS), isto equivale ao nascimento do Quadra-Design District. Na reabilitação de dois dos edifícios serão investidos 1,5 milhões de euros, com dinheiro comunitário.

O projecto global, realizado em parceria com a Escola Superior de Artes e Design (ESAD) servirá de rampa de candidatura da cidade à Rede de Cidades Criativas da Unesco.  “Matosinhos já não é uma cidade vista apenas como uma terra de pescadores. É cada vez mais conhecida pela qualidade do ensino do design e pelos seus arquitectos. O Quadra-Design District é um território criativo. Daqui a um ano, queremos candidatar Matosinhos ao galardão da Unesco. Queremos que Matosinhos seja a capital nacional do design”, sublinhou Guilherme Pinto.

Criar entre galos e pregões
Para este propósito, será constituída até Maio a Associação Quadra-Centro de Inovação e Criatividade. Certa é a participação da CMM e da ESAD nesta associação que,  segundo Guilherme Pinto, também poderá vir a contar com a Associação Empresarial de Portugal, que já “manifestou interesse em juntar-se”.

Para o presidente do Conselho Científico da ESAD, José Bártolo, Matosinhos tem condições para ser a capital do design. “Tem um património material e um potencial de inovação e criatividade que tem conseguido criar atracção. Matosinhos passará a ser um dínamo de criatividade.

O que pretendemos é projectar Matosinhos no século XXI”, disse após a apresentação do projecto, que decorreu no mercado, onde foi inaugurada nesta quarta-feira uma incubadora. Da Rede de Cidades Criativas da UNESCO fazem agora parte 41 membros, não havendo nenhuma cidade portuguesa. Estas cidades estão divididas por sete categorias das indústrias criativas: design, literatura, cinema, música, artes mediáticas, artesanato, arte popular e gastronomia.

A propósito da inauguração da incubadora, José Bártolo fez questão de sublinhar que “aquilo que muitos pensavam que seria um utopia e que retiraria vendedoras do mercado é agora uma realidade” e que a incubadora convive com o canto dos galos e com os pregões das vendedoras de peixe em plena harmonia”.

30 empresas garantidas
A incubadora, que acolherá em Maio cerca de 30 empresas ligadas ao design gráfico, joalharia, arquitectura, produção têxtil, moda, vídeo e multimédia, ficará a funcionar a 90 por cento da sua capacidade.

Neste projecto da Quadra Marítima estão ainda incluídos a Galeria de Arte Quadra, que funciona no exterior do Mercado Municipal de Matosinhos e a actual Galeria Nave que se localiza na garagem da autarquia e que passará a designar-se Casa do Design. 

Além disso, serão reabilitados dois edifícios devolutos na rua Brito de Capelo e rua França Júnior, com um investimento de 1,5 milhões assim como o edifício da antiga Real Vinícola, na Avenida Menéres, em Matosinhos Sul.

A recuperação da antiga Real Companhia Vinícola, que ocupa um quarteirão entre a Avenida Menéres e a Rua D. João I, começará dentro de um mês. Irá acolher um Núcleo Museológico de Arquitectura enquanto o edifício final da Casa da Arquitectura não estiver concluído. 

A ideia surgiu depois de o arquitecto Siza Vieira ter apresentado publicamente, em 2011, o projecto de edifício para aquela futura casa. Já tem terreno, mas falta o financiamento de 43 milhões.

O edifício da Real Companhia Vinícola, comprado pela autarquia há 15 anos, está fechado há mais de 40 anos. A sua recuperação manterá a traça original e custará 470 mil euros, segundo a CMM.