Durão lembra "cultura de excelência" promovida nas escolas antes do 25 de Abril

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Durão Barroso Patrícia de Melo Moreira/AFP

O presidente da Comissão Europeia contrapôs hoje a "cultura de excelência" promovida nas escolas antes do 25 de Abril com a situação actual, recusando a ideia do Estado controlar o que os professores fazem nas salas de aulas.

"No Portugal não democrático, no Portugal pré-União Europeia e pré-Comunidade Europeia havia ensino de excelência apesar do regime político em que se vivia e isso era possível porque numa escola era desejável reforçar a própria cultura de excelência da escola. Não estou seguro que aconteça hoje o mesmo em muitas escolas portuguesas e europeias", afirmou o presidente da Comissão Europeia.

Durão Barroso, que falava na cerimónia de entrega do donativo do prémio europeu Carlos V à CAIS e à Escola Secundária de Camões, em Lisboa, recuou ao tempo em que ele próprio estudava no então chamado Liceu Camões, onde beneficiou de "uma educação de exigência" numa "boa escola".

"Estamos a falar de antes do 25 de Abril, de uma sociedade portuguesa que não conhecia ainda a liberdade, estamos a falar de uma escola pública (...) num período em que ainda não havia democracia e, no entanto, estou a dizer que foi uma boa escola", frisou. Pois, continuou, embora algumas liberdades estivessem "cortadas" e se vivesse num regime ditatorial, "havia na escola uma cultura de mérito, de dedicação, de trabalho".

"Penso que foi uma pena na evolução posterior não ter sido sempre possível conciliar a indispensável democratização do ensino com o mesmo nível de exigência", acrescentou, considerando que apesar do nível de educação mais elevado que existe hoje e das "possibilidades imensas" que são oferecidas aos jovens perdeu-se alguma coisa em termos de "exigência, do rigor, da disciplina, do trabalho".

Referindo-se não só a Portugal como a toda a Europa, o presidente da Comissão Europeia defendeu ainda que a melhor forma de conseguir bons resultados em matéria de educação é investir nas escolas e nos professores. "É aí que está a chave. Não é tanto como às vezes se sugere com alguns grandes programas, com alguns grandes modelos, com mais e mais controlos. É dar tempo às escolas e aos professores. Porque os professores querem naturalmente ensinar, essa é a sua vida, a sua aspiração", disse. Desta forma, sublinhou, "o Estado deve dar uma ajuda complementar, mas não pode ter a pretensão de controlar aquilo que faz cada professor na sua sala de aulas".