Bitola ferroviária divide especialistas

Governo desagrada a todos na não-decisão sobre a bitola.

A empresa prevê a supressão de quase todas as ligações
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As propostas do PETI para a ferrovia de bitola europeia são soluções de “remendo” Adriano Miranda

O país deve rapidamente reconverter-se à bitola europeia ou essa não deve ser uma prioridade? Os especialistas dividem-se. Para uns, a reconversão aproximará Portugal da Europa; para outros, os recursos devem ser aplicados em modernizar a rede existente porque entre nós e os Pirinéus existe um país – Espanha - que também tem bitola ibérica.

A resposta do Governo a esta questão desagrada a todos. O Plano Estratégicos dos Transportes e Infra-Estruturas (PETI) diz que nos eixos Sines-Badajoz e Aveiro-Vilar Formoso “serão desenvolvidas intervenções para assegurar a interoperabilidade ao nível nacional, ibérico e europeu”, sem explicar como.

A Associação Portuguesa Para o Desenvolvimento dos Sistemas Integrados de Transportes (ADFERSIT) diz que este plano é um “erro histórico para a economia” porque agrava a condição periférica do país e restringe a competividade das empresas exportadoras portuguesas.

“O plano condena Portugal a ser um apêndice do sistema ferroviário europeu, quase isolado da Europa e da própria Espanha, pois as propostas do PETI para a ferrovia de bitola europeia são soluções de “remendo”, pouco competitivas e sem qualquer visão estratégica para o médio e longo prazo”, diz aquela associação em comunicado.

Uma opinião contrária aos que acham que o problema da ferrovia portuguesa não está na bitola. Basta constatar que entre Portugal e Espanha a percentagem de mercadorias transportada por caminho-de-ferro é inferior a 5% sem que entre os países haja um problema de bitola, havendo, por isso, muito espaço para crescer sem ter que se levantar os carris e colocar outros.

Manuel Tão, da Universidade do Algarve, diz que “a utilidade de levantar toda a via para instalar o bi-bitola não é explicada por nenhum calendário dos espanhóis em fazer chegar a bitola europeia a Fuentes de Oñoro nas próximas décadas”.

Este académico questiona ainda uma premissa em torno do qual gira todo o PETI a respeito dos investimentos para composições de mercadorias: “Os mega-comboios completos de 750 metros não se adaptam às necessidades das pequenas e médias empresas portuguesas, não somos um país de grandes indústrias, pelo que mais investir na flexibilidade da rede ferroviária”.