Alergias alimentares aumentaram 18% numa década

17 milhões de europeus sofrem de alergias alimentares.Vómitos, náuseas, dor abdominal e manifestações cutâneas ou respiratórias são os primeiros sintomas

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Público (arquivo)

Números da Academia Europeia de Alergologia e Imunologia (EAACI) indicam que cerca de 5% das crianças europeias sofrem de alergias alimentares. Os números são menos significativos nos adultos (à volta dos 3%) mas a “patologia” é um tema emergente na sociedade. Entre 1997 e 2008, a prevalência de alergias alimentares aumentou 18%.

Estes foram dados apresentados esta sexta-feira no Curso de Alergia Alimentar organizado numa parceria entre o Laboratório de Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), a Faculdade de Nutrição e Alimentação (FCNAUP) e o Hospital de São João. A abertura da sessão ficou a cargo do José Luís Plácido, especialista em imunoalergologia, que justificou a pertinência da temática revelando que “o número de doentes com alergias alimentares tem vindo a aumentar consideravelmente nos países ocidentais”.

Sobre a epidemiologia e história natural das alergias alimentares foi convidada a falar Mariana Couto, imunoalergologista. A especialista revelou uma lista de apenas oito alimentos – leite, ovo, amendoim, frutos secos, marisco, peixe, trigo e soja – que é responsável por 92% das alergias alimentares registadas. As alergias alimentares são reacções de hipersensibilidade, quando um indivíduo não tolera determinado alimento na mesma dose que os restantes. Ainda assim, intolerância a um alimento é diferente de alergia alimentar e, neste ponto, Mariana Couto fez questão de salientar que em muitos casos os dois conceitos são confundidos. “A maioria dos testes feitos acusam sensibilidade mas não alergia alimentar”, explica a especialista. A prova de provocação alimentar é a única forma de atestar com eficácia se uma pessoa é ou não alérgica a determinado alimento.

Ser alérgico e ser sensível

A imunoalergologista explica que muitas das alergias que as crianças apresentam desaparecem nos primeiros anos de vida e desmistifica a ideia que que as pessoas “acumulem” alergias. “Em média, 87% das crianças têm apenas uma sensibilização alimentar”, revela, referindo-se neste caso a números portugueses obtidos pela FMUP.

Fabrícia Carolino, imunoalergologista no Hospital de São João também foi chamada a falar sobre o assunto e concorda com a médica Mariana Couto, dizendo que muitas pessoas pensam que são alérgicas quando na verdade não são. “Mais de 20% dos adultos alteram hábitos alimentares por acharem que são alérgicos” o que pode ter consequências graves ao nível da nutrição.

Leite creme sem leite

Sintomas e prevenção foram discutidos na voz da inumoalergologista Diana Silva, que destacou a importância da prevenção primária (evitar sensibilidades alimentares), secundária (evitar reacções alérgicas) e terciária (tratamento). Introduz ainda o conceito de prevenção quaternária, lançado recentemente pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que corresponde a todos os procedimentos possíveis para evitar a intervenção médica em situações em que esta não se justifica. A especialista aponta uma série de factores de risco, que começa desde logo pelo historial familiar: há uma relação genética na alergia a alimentos. Obesidade, baixo consumo de ómega 3 e anti-oxidantes e falta de vitamina D  também podem aumentar a propensão para a alergia aos alimentos.

A prevenção passa essencialmente pela alimentação saudável, exercício físico e exposição a ambientes com micróbios e bactérias, como por exemplo, as quintas com animais. Para aqueles que já não podem prevenir e têm mesmo que viver e aprender a comer com a alergia, à tarde, os participantes foram convidados a fazer um workshop de culinária onde aprenderam, com o Chef Hernâni Ermida, como fazer receitas que não incluam os alimentos a que são alérgicos. Perceberam que podem fazer, por exemplo, leite creme sem leite e sem ovos.