Renato Cruz Santos
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Coração Alecrim é o sótão com que Rita Dixo sempre sonhou

De uma cortina de banho pode nascer um caderno, de um tronco de árvore uma tábua de cozinha. Nesta loja do Porto todos os objectos têm uma segunda oportunidade para viver

O Projecto Alecrim chegou ao fim, mas há um Coração Alecrim para o substituir. Com o mesmo conceito de loja amiga do ambiente e anti-consumista, o número 28 da Travessa de Cedofeita, no Porto, é agora o projecto individual de Rita Dixo.

Com a saída da sócia Marita Simas, Rita decidiu dar uma volta ao espaço. Mudou-lhe o nome (mantendo o alecrim, a planta anti-depressão, e acrescentando “coração”, porque é de lá que vem o projecto) e desenhou-o como sempre quis.

“Mais green, mais indie e mais vintage”, contou ao P3 a jovem licenciada em Filosofia, que em 2010 se dedicou definitivamente ao ramo do restauro e reciclagem.

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A roupa vintage foi acrescentada ao espaço pela parceira Filipa Alves Renato Cruz Santos

No Coração Alecrim, que abriu portas no fim do mês de Março, há capas de cadernos feitas de cortinas de banho, de despojos, de papel reciclado. Há azulejos históricos, mobiliário restaurado e por restaurar, plantas e um cantinho aromático. Há fotografia e roupa vintage da parceira Filipa Alves, rosto da Wohh!, livros (literatura, poesia e, claro, filosofia), revistas como a Kinfolk, a Cereal e a The Planet, peças de cerâmica de Anna Westerlund e cestas tradicionais de Alcobaça reinterpretadas por Nuno Henriques. 

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A loja fica na Travessa de Cedofeita, no Porto Renato Cruz Santos

Como num sótão (mas organizado)

Há de tudo, como num sótão, mas com muita organização. “Sempre quis fugir àquela confusão de lojas em segunda mão, ao amontoar de coisas e ao pó”, explica Rita Dixo.

As criações da jovem de 30 anos continuam a ser feitas a partir de lixo urbano ou objectos danificados. E a segunda vida que Rita lhes dá é frequentemente uma alteração de 180 graus: “Faço 'upcycling' [transformar resíduos ou produtos inúteis em novos artigos com outra função], já o fazia quando ainda não conhecia a palavra para o que fazia”, sorri.

No lixo, onde há uns anos encontrava muito material de trabalho, já vê pouca coisa. “Há muita gente a recolher coisas e por isso é mais difícil encontrar”, opina, contando que as feiras e as casas particulares são agora os seus principais fornecedores.

No pequeno pátio situado no fundo da loja, Rita gostava de fazer uma estufa e organizar workshops. Mas isso são “projectos futuros” para concretizar “quando o orçamento deixar”.