Portugal tem a quarta taxa mais elevada de subemprego

No final de 2013, quase 46% dos trabalhadores a tempo parcial estavam disponíveis para trabalhar mais horas.

Até Outubro, a Segurança Social já gastou mais 403 milhões de euros com subsídios de desemprego
Foto
Até Outubro, a Segurança Social já gastou mais 403 milhões de euros com subsídios de desemprego Adriano Miranda

Quase metade dos trabalhadores a tempo parcial em Portugal estava disponível para trabalhar mais horas, sendo por isso classificados como estando numa situação de subemprego. No final de 2013, a taxa de subemprego atingia 45,9 dos trabalhadores em part-time e era a quarta mais alta da União Europeia.

Os dados foram divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat, o organismo de estatísticas europeu. Em causa estão 263 mil trabalhadores que trabalham a meio tempo mas que gostariam de ter um horário completo, mas não conseguem encontrar. No conjunto da União Europeia (UE), são dez milhões os trabalhadores nessa situação.

A Grécia, com uma taxa de 72%, é o país com uma taxa de subemprego mais elevada, seguindo-se o Chipre (59%) e Espanha (57,4%). Na UE a média foi de 22,7%, enquanto na zona euro ficou ligeiramente acima dos 22%.

Abaixo da média e com taxas reduzidas aparecem a Holanda (4,2%), o Luxemburgo (10,3%), a República Checa (11,4%) e a Dinamarca (11,7%).

O Eurostat faz ainda uma análise da força de trabalho potencial existente no espaço europeu. É que além da população empregada e em situação de subemprego, há que contar com as pessoas que estão disponíveis para trabalhar mas que não procuraram emprego nas duas semanas anteriores aos inquéritos levados a cabo pelos organismos estatísticos nacionais, e as que procuram emprego e não estavam disponíveis para trabalhar naquela altura.

Se estes universos fossem contabilizados, o Eurostat estima que haveria 11,5 milhões de pessoas para juntar à força de trabalho, o que representaria um acréscimo de 4,7%.

No caso de Portugal, são 307 mil as pessoas nessa situação, a esmagadora maioria pessoas disponíveis ara trabalhar, mas que não fizeram qualquer procura activa, e que representam 5,8% da força de trabalho. Em Itália as pessoas nesta situação correspondem a 12,6% e na Croácia a 12,1%.

O Eurostat destaca as diferenças entre os diversos grupos. Quem trabalhar menos horas do que gostaria e as pessoas disponíveis para o trabalho, mas que não procuraram nas semanas que antecederam o inquérito “tendem a ter razões estruturais para a sua situação. Porque consideram que não há empregos disponíveis ou porque asseguram  tarefas domésticas, entre outras razões”.

Já no caso das pessoas que procuram trabalho, mas não estão disponíveis, a situação “é diferente” e está-se perante um grupo muito dinâmico com alta rotação. “O que acontece é que o fluxo de pessoas que entram na categoria é compensado pelo fluxo de indivíduos que saem da categoria. Isso ocorre porque muitos deles são estudantes começam a procurar um emprego antes do fim do seu percurso escolar”, realça o Eurostat.