Matosinhos vai interpor providência contra concessão do metro do Porto

Guilherme Pinto diz que o Governo não poderá fazer negócio porque não cumpriu com as contrapartidas devidas aos municípios que lhe entregaram a maioria do capital social da empresa.

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A actual concessão da Metro do Porto termina no final deste ano e o Governo vai lançar novo concurso Paulo Pimenta

A Câmara de Matosinhos garantiu nesta terça-feira que vai interpor uma providência cautelar que poderá colocar em causa a privatização ou concessão a privados da Metro do Porto, cujo contrato de concessão actual termina no final do ano. Em causa está o facto de o Governo não ter cumprido com contrapartidas previstas quando os municípios lhe entregaram a maioria do capital social da empresa, em 2007.

“O que se está a passar no Metro do Porto é uma vergonha” e é “demasiado grave para que as vozes do Norte não se façam ouvir. O Governo não pode dar este passo sem primeiro responder à Área Metropolitana do Porto sobre as razões do incumprimento do contrato entre a anterior Junta Metropolitana e o Governo”, apontou o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto.

O autarca falava no final de uma reunião de câmara em que foi votada uma moção da CDU contra a privatização ou a concessão a privados do Metro do Porto e da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP). Apenas o PSD votou contra.

Para Guilherme Pinto, que desafia outros municípios a juntarem-se à iniciativa que visa “impedir o negócio”, que considerou "escabroso", “não estão reunidas as condições contratuais para que o Governo se continue a arvorar como detentor da maioria do capital”.

O autarca recordou que o Governo se comprometeu “a financiar os investimentos na expansão” da rede  de metro, que incluia duas linhas servindo Matosinhos.

Guilherme Pinto frisou ainda que para “o Metro do Porto há zero euros de investimento no prolongamento da linha, mas há 160 milhões para a linha [de comboio] de Cascais”. Também ontem o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, lamentou não existir investimento para o Porto, mas estarem previstos em Lisboa 15 milhões para a extensão da rede de metropolitano, entre a Amadora  e a Reboleira.