“Nova” RTP2 quer captar as forças vivas do Norte e do centro

RTP2 passa para o Porto sob direcção de Elíseo Oliveira e duplica o orçamento de quatro para oito milhões de euros.

Foto
A RTP2 será emitida a partir dos estúdios do Monte da Virgem, em Gaia Renato Cruz dos Santos

A RTP2 passa a ser produzida e emitida a partir do Porto com Elíseo Oliveira a substituir Hugo Andrade enquanto director do segundo canal. “Queremos fomentar a realidade de uma ampla cobertura geográfica e dar ao Norte e ao centro a importância que devem ter”, disse Alberto da Ponte, presidente do conselho de administração da RTP.

O anúncio foi oficialmente feito nesta sexta-feira, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto. “Este é um dia histórico, muito importante para a RTP e muito importante para o centro de produção do Norte”, afirmou Alberto da Ponte.

A RTP2 começará a sofrer mudanças visíveis na grelha de programação já na próxima segunda-feira, mas Alberto da Ponte explica que o processo será gradual. Até Setembro serão preparadas e feitas algumas alterações, mas só a partir dessa altura as verdadeiras mudanças se farão sentir.

Sobre os novos conteúdos do segundo canal falou Elíseo Oliveira, dizendo que o grande objectivo é, daqui em diante, “reorientar e realinhar a grande marca que é a RTP”. O novo director de programas explica que as mudanças no canal passarão sobretudo por uma maior aposta em conteúdos de produção nacional, na diversificação e destaque de temas ligados à cultura, à ciência e à economia, “que não têm acesso aos mass media”, na melhoria do design e do tratamento estético dos conteúdos e numa maior interactividade entre rádio, televisão e online.

Na nova grelha do canal tem lugar o Jornal2, espaço de informação dirigido por José Manuel Portugal: terá a duração de 40 minutos, menos temas, mas maior profundidade, e haverá maior aposta nos grafismos. João Fenando Ramos será a cara do Jornal2 durante a semana. “Será um jornal sem pronúncia, mas pronunciadamente do Porto, para todo o país”, terminou José Manuel Portugal, reforçando que a RTP2 continua a ser um canal nacional.

Presente na conferência esteve Miguel Poiares Maduro, ministro com a tutela da comunicação social, para dizer que está consciente das dificuldades que o serviço público de rádio e televisão tem vindo a enfrentar, nomeadamente através do programa de reestruturação e que, por isso, “é ainda mais notável que, nestas circunstâncias, a RTP consiga inovar e renovar-se”. Poiares Maduro explicou que, apesar de a descentralização ter sido sempre uma das bandeiras deste Governo, a transferência da RTP2 para o Porto prende-se sobretudo com a necessidade de “potenciar os recursos humanos e trazer pessoas diferentes ao espaço público”.

Na sua intervenção, Poiares Maduro lembrou que já em 1980 tinha sido prometida a deslocação da RTP2 para o Porto. Em 2012, o futuro do segundo canal era uma grande incógnita e, agora, dois anos depois, a RTP2 não só se mantém como se reforça com um orçamento disponível que duplica, passando dos quatro para os oito milhões, de acordo com Alberto da Ponte.

Rescisões e TDT continuam a marcar discussão sobre o serviço público


O tema da reestruturação e do programa de rescisões voluntárias, que à partida terminaria no passado dia 31 de Março, foi chamado à discussão. Quando confrontado com o assunto, Alberto da Ponte disse que os dados das rescisões só poderão ser divulgados “segunda ou terça-feira” da próxima semana, uma vez que “houve, a pedido de alguns trabalhadores, um prolongamento do prazo".

O constante adiamento da entrega do relatório sobre a TDT (televisão digital terrestre) ou mesmo o espaço disponível para um possível quinto canal foram outras questões que surgiram. Sobre este último assunto Poiares Maduro não se quis pronunciar, dizendo apenas que o mais importante é continuar a valorizar e aumentar a distribuição da TDT em Portugal, acabando com os chamados “espaços sombra” (onde o sinal não chega) e que “o consenso entre os três principais operadores de televisão” é essencial para aumentar a oferta.