MTI e grupo ETE fazem parceria para assegurar transporte de ferro de Moncorvo para Leixões

Testes ao minério estão a ser feitos pela ArcelorMittal, maior produtor mundial de aço.

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Reactivação das minas deverá permitir a criação de algumas centenas de postos de trabalho. Adriano Miranda

A MTI, empresa detentora da concessão da exploração experimental do ferro de Moncorvo, e a ETE - Empresa de Tráfego e Estiva, estabeleceram uma parceria para o transporte do minério até ao Porto de Leixões quando a operação se tornar viável, o que está previsto para 2016.

No âmbito dessa parceria, o grupo agora liderado por Luís Figueiredo estudou as diferentes possibilidades de escoamento do ferro e aponta a via fluvial, através do Douro, como a “mais eficiente em termos de custos de redução de emissões poluentes”. Contactadas pelo PÚBLICO, a ETE e a MTI esclareceram que a parceria abrange apenas questões do transporte e logística, não incluindo a participação na exploração do minério.

A questão do transporte do minério é fulcral para a rentabilização da exploração das minas, localizadas no nordeste transmontano, a 200 quilómetros dos portos de Aveiro e de Leixões. A componente logística é ainda relevante em termos de impacto ambiental, uma “ batalha” que a MTI terá de vencer nos próximos meses.

Carlos Guerra, administrado da MTI, admitiu ao PÚBLICO que a empresa “tem em curso negociações com potenciais parceiros para a exploração mineira e para a beneficiação”, mas não adianta mais informações sobre esta matéria, por estarem sujeitas “a acordos de confidencialidade”.

Neste momento, a MTI  tem um acordo com a ArcelorMittal, o maior fabricante de aço do mundo, para a realização de testes mineralúrgicos e ensaios metalúrgicos. Carlos Guerra não adianta mais informações sobre o acordo firmado com a multinacional, referindo apenas que os resultados dos testes já realizados têm ficado “acima das expectativas”.

Recorde-se que a exploração de ferro em Moncorvo chegou a estar no “radar” de outra multinacional, a Rio Tinto, que acabou por abandonar o projecto no ano passado.

A obtenção da declaração de impacto ambiental favorável ou favorável condicionada é o primeiro desafio que a MIT tem de vencer. Carlos Guerra, que é responsável pela área de acompanhamento do desenvolvimento do projecto e pela área de ambiente, adianta que, “depois de três anos de amostragens e estudos, a análise de impacto ambiental já está concluída e será entregue ainda este mês à entidade licenciadora, a DGEG- Direcção-geral de Energia e Geologia.

Barcaças movidas a gás natural
A solução de transporte proposta pela ETE, grupo com actividade na operação portuária, transporte marítmo e reparação e construção naval, privilegia a via fluvial, com utilização de barcaças com características especiais. Esta solução é, face à rodovia e ferrovia, a que permite maior capacidade de escoamento de minério até ao porto de Leixões, onde será carregado em navios graneleiros.

O projecto de construção de um mineroduto, cujo investimento estimado seria de 200 milhões de euros, fica afastado numa primeira fase, podendo ser reequacionado numa fase de velocidade cruzeiro do projecto.

A ETE não adianta o investimento estimado para a aquisição das barcaças duplas, que respondem às características técnicas de navegabilidade fluvial e marítima, entre a Foz do Douro e o Porto de Leixões. Em resposta a questões colocadas pelo PÚBLICO, o grupo de Luís Figueiredo adianta que “os estudos realizados apontam inequivocamente para que a utilização da Via Navegável do Douro seja sempre a opção mais eficiente e, em simultâneo, a que melhor contribuirá para o desenvolvimento regional, permitindo o reforço da sua utilização pelas indústrias situadas nas suas margens, bem como o desenvolvimento de indústrias acessórias da navegação (manutenção, serviços de apoio, etc.)”. Tendo em conta a sensibilidade ambiental do projecto, as barcaças utilizarão gás natural (LNG) como combustível.

Dentro da preocupação ambiental e da rentabilização da quantidade de inertes produzidos, ainda com importante quantidade de ferro, a MTI pretende que esse material possa ser utilizado para protecção da costa marítima, à semelhança do que já aconteceu no porto de Sines e na barra do Douro.