Câmara do Porto acusada de promover concurso “armadilhado” para o director do Teatro Municipal

Entre os candidatos ao cargo estão a empresa do director artístico do Teatro Municipal de S. Luiz, em Lisboa, e Mário Dorminsky.

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Paulo Cunha e Silva, vereador da Cultura na Câmara do Porto Fernando Veludo/NFactos

O concurso público para escolher o futuro director do Teatro Municipal do Porto – Rivoli e Campo Alegre, e para o qual há oito candidatos, está a ser criticado por causa dos critérios de selecção dos candidatos.

O encenador e ex-director do Teatro Nacional D. Maria II Carlos Fragateiro, actualmente a trabalhar como professor auxiliar da Universidade de Aveiro, defendeu, num comentário que colocou na página do Facebook da companhia Teatro Plástico, que o concurso público está “armadilhado desde o início, fechando ao máximo as condições de acesso, com exigências absurdas”.

Há oito candidatos que aguardam, neste momento, saber se passarão à segunda fase do concurso. O PÚBLICO sabe que a lista é composta pelas empresas Antunes Fidalgo, Unipessoal (do actual director artístico do S. Luiz Teatro Municipal, José Luís Ferreira), a DuplaCena, Ld.ª, (de António da Câmara Manuel) e a Produtora Risco (do coreógrafo Alberto Magno), além de Tiago Guedes, Carlos Gomes, Pedro Jordão, Ana Figueira e Mário Dorminsky.

Carlos Fragateiro, que também dirigiu o Teatro da Trindade e foi afastado do D. Maria II no primeiro Governo de José Sócrates, num processo que contestou em tribunal, defende mesmo que “a única solução é pedir a anulação do concurso”, já que, argumenta, “ele define condições que se percebem estarem feitas para determinadas pessoas”. E promete escrever “uma carta aberta” ao presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e ao líder da vereação socialista Manuel Pizarro, já que não acredita que eles conheçam os parâmetros do concurso em causa. “Pela campanha que fizeram, pelos princípios que defendem, só podem desconhecer um concurso como este”, disse Fragateiro ao PÚBLICO.

O encenador garante que mantém as críticas expressas no Facebook e justifica-as com alguns dos critérios do programa de concurso, nomeadamente, com o requisito de admissão que exige que os candidatos tenham “experiência na direcção de projectos artísticos que tenham tido candidaturas aprovadas, nos últimos sete anos a, cumulativamente, um programa de financiamento nacional e um programa de financiamento comunitário”. “Este critério é dos mais obstrusos. Porque é que isto é pertinente? Porque é que ser capaz de obter financiamento implica isto? A quem é que isto é dirigido?”, questiona.

O encenador também não entende a razão para o facto de a experiência como director de um teatro municipal ter mais peso na classificação dos candidatos do que a experiência como director de um teatro nacional ou internacional. “Isto é menorizar o Teatro Rivoli e o Teatro do Campo Alegre, que devem ser teatros regionais com dimensão nacional. Porque é que o Porto se está a assumir como uma coisa pequena? E, a juntar a tudo isto, nada está definido quanto ao que a câmara quer para o Rivoli, quando isso devia pesar na escolha do director”, afirma Carlos Fragateiro, que avaliou a possibilidade de concorrer à direcção do Teatro Municipal do Porto, mas desistiu, ao perceber que não iria cumprir os requisitos exigidos pela autarquia.

Contactada pelo PÚBLICO, a Câmara do Porto recusou-se a comentar as críticas.

A ausência de uma definição, por parte da autarquia, sobre o que pretende para o Rivoli e o Campo Alegre já levara a Plateia – Associação de Profissionais das Artes Cénicas a manifestar-se preocupada com o que considera ser o “cenário de incertezas” em torno dos teatros. Na altura, o vereador da Cultura, Paulo Cunha e Silva, garantiu que o futuro do teatro municipal será decidido com o futuro director de programação.


Notícia alterada às 22h43: foram retiradas todas as referências ao conteúdo do post publicado na página do Facebook da companhia Teatro Plástico

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