Os alertas do IPCC para o planeta

Algumas conclusões do relatório do organismo das Nações Unidas para as alterações climáticas.

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PÚBLICO

Quebra na produção agrícola, menos água disponível nas regiões subtropicais e um maior risco de cheias nas zonas litorais são alguns dos alertas deste relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

Situação actual
A Terra já está a enfrentar impactos das alterações climáticas “em todos os continentes e nos oceanos”. Por exemplo, mudanças no padrão de chuvas e o derretimento da neve e do gelo estão já a alterar o regime hidrológico. Na biodiversidade, também já se nota alteração na distribuição de algumas espécies. Há mais casos identificados de impactos negativos do que positivos sobre a agricultura.

Irreversibilidade
Com apenas 1,0 ou 2,0 graus Celsius de aumento da temperatura global em relação aos níveis pré-industriais a Terra enfrentará “riscos consideráveis”. Com 4,0 graus de aumento ou mais, os riscos são “elevados ou muito elevados”, incluindo extinções de espécies, amplos impactos na segurança alimentar, e até o comprometimento da vida normal ao ar livre, em algumas regiões, devido ao calor e à humidade. 

Alimentação
É um dos grande alertas: a produtividade agrícola, a nível mundial, pode cair até 2% por década ao longo deste século. Mas o consumo de alimentos poderá subir 14% por década, pelo menos até 2050. Com apenas um grau Celsius a mais do que os níveis pré-industriais, haverá perdas nas culturas de trigo, arroz e milho nas regiões tropicais e temperadas. Noutras zonas do globo, pode haver ganhos.

Água
Haverá menos água disponível nas regiões secas subtropicais, mas mais nas altas latitudes. Num cenário com uma população mundial 7% maior do que a de hoje, por cada grau a mais no termómetro global, haverá menos 20% de disponibilidade de água. A probabilidade de secas nas regiões mais áridas vai aumentar até ao final do século.

Saúde
As alterações climáticas vão “exacerbar os problemas de saúde que já existem”. Exemplos: mortes e morbilidade devido às ondas de calor e fogos florestais, sub-nutrição devido à redução na produção de alimentos, maior risco de doenças transmissíveis por alimentos, águas ou insectos. Os efeitos positivos – menor mortalidade devido ao frio, por exemplo – são superados pelos negativos.

Cheias
Até 2100, centenas de milhões de pessoas estarão em risco de serem afectadas por cheias no litoral, a maior parte no Leste, Sudeste e Sul asiáticos. Nos próximos cem anos, o número de pessoas expostas a uma cheia  numa bacia hidrográfica será três vezes maior no pior cenário do IPCC (até 4,8 graus de aumento da temperatura), em comparação com o menos gravoso (até 1,7 graus).

Oceanos
A migração de espécies marinhas para as latitudes mais altas pode pôr em causa as pescas nalgumas regiões, beneficiando outras. Nos cenários mais gravosos de aquecimento, a acidificação dos oceanos será um problema sério sobretudo para os ecossistemas polares  e para os recifes de corais.

Cidades
As zonas urbanas são um “hotspot” de riscos: calor e chuvas extremos, cheias de rios ou costeiras, deslizamentos de terras, poluição do ar, secas, escassez de água. Os riscos serão mais graves nas zonas com deficientes infra-estruturas e má qualidade na construção.

Conflitos
Os efeitos de um mundo mais quente poderão “indirectamente aumentar o risco de conflitos”, como guerras civis ou violênias entre grupos, ao amplificarem factores como a pobreza ou choques económicos. Também se prevê um aumento no risco de pessoas ficarem desalojadas, o que pode ter efeitos nas migrações, embora haja muitas incertezas sobre o impacto quantitativo das alterações climáticas neste caso
 
Adaptação
Estratégias de adaptação às alterações climáticas estão progressivamente sendo incorporadas nos processos de planetamento, nos sectores público e privado, embora com implementação limitada. Medidas adoptadas agora terão efeitos ao longo de todo o século.

Conhecimento
A literatura científica sobre os impactos e a adaptação às alterações climáticos mais do que duplicou entre 2005 e 2010. Mas há uma distribuição geográfica desigual, com menos estudos nos países em desenvolvimento.