Vitória de Hidalgo em Paris foi consolação para noite negra para o PS

Eleições municipais deram vitória à direita francesa, com uma mensagem de castigo para François Hollande e recompensas para Marine Le Pen. Saberá o Presidente responder à altura?

Anne Hidalgo é a nova presidente da Câmara de Paris
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Anne Hidalgo é a nova presidente da Câmara de Paris Benoit Tessier/REUTERS

Uma “vaga azul” cobriu os municípios franceses, congratulou-se Jean-François Copé: “O primeiro partido de França é a UMP”, afirmou o líder do grande partido do centro-direita, comentando os resultados da segunda volta das eleições municipais em França, que castigaram a governação socialista e entregaram mais 155 cidades com mais de 9000 habitantes ao maior partido do centro-direita. Prémio de consolação para o PS: a vitória de Anne Hidalgo em Paris.

Quanto a Marine Le Pen, a líder Frente Nacional, essa tem outras conquistas que a tornaram a outra estrela da noite: nunca o seu partido de extrema-direita teve um resultado tão bom em eleições locais. Conquistou dez câmaras, no Sul, Leste e no Norte do país, e a presidência do 7º sector em Marselha, uma subdivisão administrativa com 150 mil habitantes. Nas contas finais, a FN ficou até com mais um vereador que o PS.

Marselha era até uma cidade que os socialistas esperavam conquistar, antes de os franceses terem começado a votar. Mas o candidato da Frente Nacional (FN), Séphane Ravier, terá ajudado à derrota do candidato do PS, Patrick Menucci. O resultado foi que o presidente da câmara da UMP, Jean-Claude Gaudin, não só foi reeleito como tem uma enorme maioria absoluta.

O factor FN quase foi a história principal destas eleições. A aposta de Marine Le Pen em construir, tijolo a tijolo, a presença do partido de extrema-direita a nível municipal foi bem-sucedida, com a conquista de pelo menos nove câmaras em cidades de pequenas ou médias dimensões, sobretudo no sul e no leste do país. As apostas em cidades maiores, como Avignon e Perpignan, incomodaram mas acabaram por não vingar.

Curiosamente, das principais figuras do partido, apenas o seu secretário-geral, Steeve Briois, foi bem-sucedido, e logo à primeira volta, em Hénin-Beaumont. Os vencedores da noite foram figuras secundárias, que beneficiaram de dinâmicas próprias dos locais onde se candidataram – como anteriores gestões autárquicas corruptas ou ineficazes. Os dois vice-presidentes Florian Philippot e Louis Aliot não conseguiram a eleição em Forbach e Perpignan, respectivamente. Gilbert Collard, deputado pela FN que era vencedor em Saint-Gilles, viu escapar-lhe a vitória

Morte ao pacto
Jean François Copé tem motivos para se regozijar. Várias grandes cidades com mais de 30 mil habitantes passarem da esquerda para a direita. Entre elas, Toulouse (a quarta maior) ou Limoges, que desde 1912 era gerida pelos socialistas.

O prémio de consolação para o PS foi Paris, onde a socialista Anne Hidalgo ganhou. Pela primeira vez, a capital terá uma mulher como presidente da câmara.

Mas a principal mensagem destas eleições é que são um castigo para o PS por causa da desilusão provocada por François Hollande. Sintomaticamente, em Quimper, o candidato do PS, Bernard Poignant, um conselheiro do Presidente, foi derrotado.

Mas a abstenção atingiu 38%, um nível recorde para umas eleições municipais. Em termos nacionais, a direita obteve 45,91%, a esquerda 40,57% e a extrema-direita 6,87%.

O primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault – que se diz com uma insistência cada vez maior que deverá ser substituído numa remodelação governamental que não tardará –, reconheceu a “responsabilidade colectiva” do Governo e “toda a sua quota-parte de culpa”, assumindo que não terão sido capazes de explicar com toda a “clareza necessária” porque é que a recuperação da economia do país exigiria tantos sacrifícios.

Ségolène Royal, que sonha ser ministra, reclama uma baixa dos impostos. Algo de semelhante pede a ala esquerda do PS, que exige o abandono do “Pacto de Responsabilidade”,  que Hollande anunciou com toda a pomba no início do ano, e prevê um alívio nos impostos cobrados às empresas e aos trabalhadores independentes no valor de 30 mil milhões de euros, e economias de 50 mil milhões de euros na despesa pública até 2017.