NSA guardou “mais de 300 relatórios” sobre Angela Merkel

Chanceler alemã está entre os 122 líderes mundiais espiados pela Agência de Segurança Nacional americana.

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Merkel com Obama: as novas informações foram avançadas este sábado pela revista alemã Der Spiegel REUTERS/Thomas Peter

As informações sobre Angela Merkel estão guardadas num arquivo especial, juntamente com os dados relativos a 122 chefes de Estado e de governo que foram espiados pela NSA. Os ficheiros, classificados como "top-secret", foram armazenados numa base de dados denominada Marina, que contém o registo de ligações telefónicas: as datas, locais e duração das chamadas.

A lista de líderes mundiais, revela a revista, está organizada por ordem alfabética e pelo primeiro nome dos dirigentes mundiais espiados. Começa com Abdullah Badawi, que foi primeiro-ministro da Malásia, e termina com Iulia Timochenko, líder da oposição ucraniana que, quando foi espiada, era também primeira-ministra.

Estes ficheiros poderão ser “um elemento de prova importante” aos olhos da Justiça alemã, que está a analisar a hipótese de abrir um processo judicial por suspeitas de espionagem contra a agência norte-americana, avança a revista, citada pela AFP.

Os documentos consultados pela Der Spiegel revelam que o objectivo de espiar dirigentes estrangeiros era obter informações sobre “objectivos” específicos que, “de outra forma, seriam difíceis de conseguir”.

Merkel estará no início de Maio nos Estados Unidos em visita oficial e a espionagem deverá ser um dos temas do encontro que terá com o Presidente Barack Obama.

A NSA está no centro de um escândalo revelado no Verão de 2013, que envolve espionagem à escala mundial de comunicações telefónicas. Edward Snowden, antigo consultor da agência, revelou que essas práticas envolviam dirigentes de outros países, entre os quais figura o nome de Angela Merkel. Os serviços secretos norte-americanos terão “escutado” um dos números telefónicos utilizados pela chanceler durante cerca de dois anos.

Na altura, a Administração de Barack Obama argumentou que a recolha de dados era necessária para o combate ao terrorismo, mas, em Janeiro, o Presidente norte-americano acabou por anunciar uma revisão dos métodos de recolha de informação por parte dos serviços secretos. E em declarações à imprensa alemã garantiu que Merkel não teria de preocupar-se “nunca mais” que as suas comunicações estivessem sob vigilância.

Na terça-feira passada, foi noticiado que o Obama irá propor o fim da recolha exaustiva de dados telefónicos. Citando vários responsáveis da Administração, o New York Times refere que os metadados telefónicos das chamadas feitas nos Estados Unidos deixarão de ser entregues, de forma exaustiva e em tempo real, pelas operadoras à NSA.