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Suíça recebe em 2016 primeiras olimpíadas para atletas biónicos

Cybathlon é uma competição desportiva onde a alta tecnologia e robótica terão tanto destaque como os atletas.

Desde 1960 que se realizam os Jogos Paralímpicos, uma competição destinada a atletas com deficiências físicas ou mentais. Mais de meio século depois surgem as primeiras olimpíadas para atletas com problemas físicos ou motores equipados com dispositivos de tecnologia robótica. Chamam-se Cybathlon e realizam-se na Suíça, em Outubro de 2016.

As imagens de promoção de Cybathlon mostram atletas em versão animada munidos com próteses e outros aparelhos de alta tecnologia, de design futurista, e destinados à competição desportiva.

O campeonato inclui seis modalidades. Em cada uma delas, os atletas, que no Cybathlon são designados pilotos, vão ter que completar um circuito com obstáculos e outras actividades onde será testada não só a capacidade desportiva mas também o desempenho da prótese ou outro aparelho utilizado e sua compatibilidade com o utilizador.

As medalhas para os primeiros prémios não vão ser apenas entregues aos pilotos. Também a equipa técnica responsável pelo dispositivo que o atleta ou atletas, no caso de equipas, usam na competição vai ser distinguida.

Os nomes de cada uma das modalidades são bastante técnicos mas, no fundo, vão ser todas relacionadas com corrida. Segundo a organização do Cybathlon, os atletas vão estar equipados “com as mais modernas próteses para pernas, para braços, exoesqueletos robóticos, cadeiras de rodas robóticas, estimulação eléctrica de músculos e interfaces computorizadas com ligação ao cérebro”, isto para tetraplégicos. Nesta última modalidade, os desportistas vão poder assumir o controlo de um avatar e entrar nos jogos que serão disputados em computador.

Na competição poderão ser usados aparelhos já comercializados mas também protótipos que estejam a ser desenvolvidos por laboratórios. Este é, aliás, um dos principais objectivos do Cybathlon: “promover o desenvolvimento de novos sistemas de assistência e reforçar as trocas de conhecimentos científicos”, além de motivar o interesse do público na performance humana combinada com tecnologia e permitir a utilização de dispositivos que até agora tinham sido excluídos dos Jogos Paralímpicos.

Robert Riener, organizador do evento e professor da Universidade de Zurique, acrescenta ainda a estes objectivos o estreitar da relação entre os equipamentos e os utilizadores. “A ideia é que queremos forçar o desenvolvimento de tecnologias de assistência para dispositivos que os pacientes possam, de facto, usar no seu dia-a-dia”, disse Riener à BBC.

O professor lamenta que ainda hoje existam tecnologias que estão “longe de serem práticas e confortáveis para o utilizador”. A competição, organizada pelo Swiss National Competence Center of Research in Robotics, centro especializado na investigação de robótica, vai decorrer no Hallenstadion de Zurique, no dia 8 de Outubro de 2016, ano em que os bilhetes serão colocados à venda.