Mário Crespo na despedida: "Deus abençoe Portugal!"

No seu último noticiário na SIC Notícias, Mário Crespo enalteceu o "espírito vivo do jornalismo" na RTP, elogiando a entrevista de José Rodrigues dos Santos a José Sócrates do domingo passado.

Foto
Nuno Ferreira Santos

No final do programa Frente-a-Frente de quarta-feira, naquele que seria o seu último dia no ecrã da SIC Notícias, o jornalista Mário Crespo proferiu um discurso de despedida onde não conseguiu esconder a emoção.

No adeus à SIC e ao jornalismo, Mário Crespo revisitou momentos e pessoas que marcaram o seu percurso de 40 anos enquanto jornalista. Disse que queria ficar mais dias, pelo menos até ao 25 de Abril, mas também reconheceu que, depois desses dias, iria "querer ficar mais dias". 

Elogiou todos aqueles que, em Portugal, contribuíram para "a refundação da informação" na década de 80, destacando deste lote José Eduardo Moniz, e agradeceu aos colegas com quem foi trabalhando, aqueles que "deram a vida pelo relato da verdade" e aqueles que foram os seus "pais fundadores da profissão" quando esteve em Joanesburgo.

Referiu-se à SIC Notícias como sendo a "maior obra mediática" no país e a "construção de um sonho" antigo de Francisco Pinto Balsemão, Emídio Rangel e Nuno Santos. "A democracia não existiria em Portugal sem esta obra", sublinhou.

Foi com Cândida Pinto na direcção do canal que Mário Crespo recupera o Jornal das 9. "Tinha consciência da herança pesadíssima que tinha e da responsabilidade de ser uma espécie de um continuador do trabalho de gente muito válida e empenhada", disse. "Desempenhei o melhor que pude a tarefa que assumi, cumprindo as responsabilidades". O jornalista fez um recorte no tempo daquilo que foi a sua carreira e que culminou no grupo Impresa – o "universo a que tem de pertencer a imprensa livre, o sector privado", considerou o jornalista.

Se, muitas vezes, Mário Crespo foi duro nas palavras que dirigia à RTP – onde trabalhou durante 18 anos –, desta vez enalteceu o "espírito vivo do jornalismo" da estação pública. Para isso recorreu ao exemplo da entrevista de José Rodrigues dos Santos a José Sócrates, para afirmar que "o espírito do jornalismo está vivo e muito bem entregue na RTP." E acrescentou: "Como brilhantemente o demonstrou no domingo passado José Rodrigues dos Santos, quando deu corpo à realidade de que o jornalismo televisivo não é um mero suporte para monólogos do que os políticos devem dizer sem contradições."

Terminando o seu discurso, visivelmente emocionado, agradeceu a todos os colegas da SIC e aos telespectadores que o seguiram: "Não posso sequer enunciar todos os nomes daqueles com quem trabalhei aqui. Nunca os esquecerei. Nem a todos vós que estão do lado de lá dos microfones e câmaras. Foram os senhores e as senhoras que me permitiram os momentos mais conseguidos e me toleraram os menos conseguidos. (…) Bem hajam. Deus abençoe Portugal!”

Na semana passada, a SIC emitiu um comunicado a informar que, na sequência do pedido de reforma do jornalista, o canal optou por não lhe renovar o contrato e que, por isso, Mário Crespo iria sair da estação.