PS diz que primeiro-ministro tem em cima da mesa solução para evitar venda de Mirós

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Gabriela Canavilhas, a ex-ministra da Cultura Enric Vives-Rubio

A deputada socialista Gabriela Canavilhas disse esta quarta-feira à agência Lusa que o PS tem conhecimento que “há uma solução em cima da mesa do primeiro-ministro” para evitar a venda das obras de Joan Miró, na posse do Estado.

Contactada pela agência Lusa na sequência de declarações feitas pela deputada durante uma intervenção em plenário parlamentar, sobre a preparação de uma solução para este caso, Gabriela Canavilhas disse não poder adiantar pormenores.

Na intervenção durante o plenário, quando os partidos fizeram intervenções sobre a petição pública que defende a manutenção das 85 obras de Miró em Portugal, a ex-ministra Gabriela Canavilhas disse que “há soluções em curso, que passam por políticos e empresários”, que poderão evitar a venda.

“O que posso dizer é que sabemos que há uma solução em cima da mesa do primeiro-ministro”, disse a deputada socialista à Lusa no final do debate sobre a petição.

“Não posso falar ainda sobre isto. Muito em breve vai haver informações sobre este assunto. Mas o que eu disse é factual”, acrescentou.

Esta quarta-feira, no parlamento, foi chumbado, pela maioria PDS/CDS, um requerimento apresentado pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista para visitar o depósito das obras do artista Joan Miró que o Estado pretende vender.

O leilão das obras, actualmente detidas pela Parvalorem - sociedade anónima de capitais públicos, criada em 2010 pelo Estado para gerir os activos e recuperar créditos do universo do BPN - foi cancelado em Fevereiro pela Christie´s, que não considerou a venda legalmente segura, tendo entretanto anunciado novo leilão para Junho.

Os 85 quadros de Miró do antigo BPN regressaram a Lisboa no final de Fevereiro e encontram-se depositados num cofre-forte da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa, de acordo com a Parvalorem.

O caso da intenção de venda das obras de Miró pelo Estado português é hoje tema de um artigo no jornal norte-americano The New York Times, que chama a atenção para o debate gerado na Europa sobre a venda de bens públicos, para obter receitas no quadro da crise económica.

No artigo do jornal norte-americano, refere-se que as obras de arte do pintor catalão estão a ser postas à venda tal como a companhia nacional de aviação e os serviços de correios de Portugal.

O diário nova-iorquino refere, no entanto, que a venda de património cultural se tornou mais polémica, e cita a deputada socialista Gabriela Canavilhas, ex-ministra portuguesa da Cultura, como uma das personalidades que tem tomado iniciativas legais contra a venda do espólio de Miró, defendendo a sua classificação como património nacional.

Em Portugal, no parlamento, o PS, o PCP, o Bloco de Esquerda e “Os Verdes” têm desenvolvido várias iniciativas parlamentares contra a venda do acervo Miró, nomeadamente pedidos de audição das partes envolvidas, como a Secretaria de Estado da Cultura e a Parvalorem.

O titular da pasta da Cultura, Jorge Barreto Xavier, anunciou, no dia da sua audição, há uma semana, no parlamento, que pediu ao Ministério das Finanças um inventário de todo o acervo de obras de arte do ex-BPN.

As 85 obras do artista catalão Joan Miró ficaram envoltas em polémica desde que se tornou pública, no final de 2013, a intenção de venda, pelo Estado, a que se sucedeu o lançamento de uma petição pública, assinada por mais de 10 mil pessoas, defendendo a manutenção dos quadros no país.

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