Regresso ao debate sobre salas de chuto?

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, não quer falar nisso, mas o presidente da Norte Vida, Agostinho Rodrigues, acha que é "boa altura" para o Porto discutir a possibilidade de criar uma sala de consumo asséptico. E, sendo diagnosticada a necessidade, João Goulão, director do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, pensa que valerá a pena voltar a pensar nisso.

A Norte Vida tem duas equipas a fazer redução de riscos na zona ocidental da cidade. Ainda distribuem à volta de 12 mil seringas por mês, quase todas ali, no eixo Aleixo-Pinheiro Torres-Pasteleira. Agostinho Rodrigues não contesta a demolição da fábrica que todos os dias servia de sala de chuto a centenas de pessoas. Diz que "fazer demolições, por si só, não resolve o problema". "Na cidade, não faltam espaços devolutos", lembra. Parece-lhe ser esta "uma boa altura para repensar soluções possíveis" - será  tempo de discutir a possibilidade de criar uma sala de consumo asséptico. 

O problema, diz Luís Fernandes, especialista em comportamento desviante, é político. Na sua opinião, as salas "já deviam estar a funcionar há 13 anos, desde 2001, altura em que a lei permitiu a criação destes espaços". "Ainda não houve foi coragem política para o fazer", enfatiza.

Depois de anos a cair de forma abrupta o consumo de drogas pela via injectada, há sinais de recrudescimento, sobretudo relacionado com recaídas, lembra João Goulão. Se quem está no terreno observar concentração de consumidores em situação de risco, então valerá a pena voltar a equacionar a possibilidade de criar salas de chuto - "em Lisboa, no Porto, onde for".

De acordo com a lei, apenas as autarquias e as entidades particulares que se dedicam à luta contra a toxicodependência podem criar esta valência. "Não me queria pronunciar hoje sobre isto, não é o momento para fazer considerações sobre essa matéria", reagiu Rui Moreira. "Quando chegar a altura, falaremos sobre essa matéria." A.C.P.

Sugerir correcção