Conselho da Europa distingue Desertas como área protegida

Conhecidas por serem o habitat de uma colónia de focas-monge, as Ilhas Desertas passam a ser em Portugal a segunda reserva com esta distinção.

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Carlos Freitas/Ilhapress

O Conselho da Europa atribuiu nesta segunda-feira o Diploma Europeu para as Áreas Protegidas às Ilhas Desertas, na Madeira, em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido nesta reserva natural há 26 anos.

Presente na reunião de peritos do Conselho da Europa que decorreu em Estrasburgo, o director do Parque Natural da Madeira (PNM), Paulo Oliveira, expressou a sua “enorme satisfação” pela aceitação da candidatura apresentada em Novembro de 2011. “É um justo prémio para o património natural excepcional que são estas ilhas, mas também para todos quantos têm contribuído para que aquela reserva seja hoje vista pela Europa como uma área gerida de forma exemplar”, frisou.

Para o director do PNM, “este galardão consolida a importância que estas ilhas possuem enquanto pólo de atracção para actividade turística. O turismo de natureza está a alicerçar-se cada vez mais neste tipo de produto, que no caso da Madeira é altamente diferenciador”.

Também o secretário regional dos Recursos Naturais, com a tutela do parque, considera o reconhecimento do Conselho da Europa "um estímulo e um potencial para o futuro da região nomeadamente no turismo virado para a natureza". Representa ainda “um enorme desafio para as actividades náutico-marítimas” que devem “ser desenvolvidos dentro dos limites que não ponham em causa a conservação da reserva”, acrescenta Manuel António Correia.

As ilhas, a uma distância de 22 milhas náuticas do Funchal, registam, em média, mais de três mil visitas por ano, e têm conseguido reunir várias distinções. Em 1990 foram estabelecidas como Área de Protecção Especial e têm o estatuto de Reserva Natural desde 1995. Em 1992 foram classificadas como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa e posteriormente integradas na Rede Natura 2000.

Ao projecto de preservação da colónia dos lobos-marinhos (ou focas-monge), implementado na Reserva Natural das Ilhas – desenvolvido com base no Plano de Acção para a Foca-Monge no Atlântico – foi atribuído o prémio BES Biodiversidade 2012. Segundo Oliveira, o projecto permitiu, nos últimos anos, aumentar a população daquela espécie, considerada a foca mais rara do mundo e classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como estando "criticamente em perigo", não existindo mais do que 500 animais em todo o mundo.

Devido a uma combinação de uma variedade de factores, nomeadamente localização geográfica, isolamento e condições muito difíceis de colonização, as Desertas apresentam habitats que são representativos e importantes para a conservação in situ da biodiversidade, particularmente dos endemismos e das espécies que são vulneráveis a nível mundial.

São um importante centro de nidificação de aves marinhas protegidas da Macaronésia e de todo o Atlântico Norte, com destaque para a endémica ave marinha Freira do Bugio (Pterodroma deserta). Suportam igualmente a maior colónia de Alma-negra do Atlântico

No grupo dos artrópodes, salienta-se a Tarântula-das-Ilhas-Desertas (Hogna ingens), um endemismo destas ilhas. Outro vertebrado terrestre nativo é a Lagartixa (Teira dugesii mauli).

As Desertas são um grupo de três ilhas de origem vulcânica: Deserta Grande, Bugio e Ilhéu Chão. Visíveis da costa sul da Madeira e dispostas em seguimento umas das outras, serviram durante a II Guerra Mundial de posto de vigia dos submarinos alemães, instalações utilizadas, posteriormente, para os caçadores de baleias localizarem esses animais.