Adolfo Suárez recordado como "um dos grandes homens da nossa época"

Rei de Espanha e presidente do Governo lembram o homem "que tornou possível a democracia" e que "pôs o interesse do conjunto da nação espanhola à frente dos seus interesses pessoais".

O presidente do Governo espahol, Mariano Rajoy, destacou "a intuição, a habilidade e a coragem" de Adolfo Suárez
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O presidente do Governo espahol, Mariano Rajoy, destacou "a intuição, a habilidade e a coragem" de Adolfo Suárez Sergio Perez/Reuters

O rei Juan Carlos recordou neste domingo Adolfo Suárez como um "amigo leal", que sempre se guiou pela "defesa da democracia, do Estado de Direito, da unidade e diversidade de Espanha". O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, lamentou a morte de "um homem de concórdia, que tornou possível a democracia" e que "abriu as portas da Europa" a Espanha.

Numa mensagem emocionada, enquadrada pela famosa fotografia de ambos a caminharem, de costas, pelos jardins da residência do antigo presidente do Governo espanhol, o rei Juan Carlos exprimiu a sua "enorme dor". "Mas a dor não é um obstáculo à recordação e valorização de um dos capítulos mais brilhantes da História de Espanha: a transição que, tendo sido protagonizada pelo povo espanhol, eu e Adolfo impulsionámos, juntamente com um excepcional grupo de pessoas de diferentes ideologias, unidas por uma grande generosidade e um alto sentido de patriotismo", disse o rei de Espanha.

A morte de Adolfo Suárez, anunciada neste domingo pelo porta-voz da família, em Madrid, veio recordar "um homem que pôs o interesse do conjunto da nação espanhola à frente dos seus interesses pessoais e do seu partido", salientou ainda Juan Carlos.

"Nestes tristes momentos", conclui o rei de Espanha, recorda-se um homem que teve como "objectivo prioritário" a "superação da fractura política e social que a sociedade espanhola viveu no século XX".

Já o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, destacou "a intuição, a habilidade e a coragem" de Adolfo Suárez.

"Deixou-nos um dos grandes homens da nossa época", afirmou. Para Rajoy, a "melhor homenagem" que se pode prestar à memória do primeiro chefe de um Governo democrático em Espanha é "seguir o caminho que ele marcou: o do entendimento, da concórdia e da solidariedade entre espanhóis".

O socialista José Luis Rodriguez Zapatero, que presidiu ao Governo espanhol entre 2004 e 2011, disse que "a carreira política de Suárez evoca o melhor espírito da nossa transição democrática: o reconhecimento de vozes discordantes, a promoção da tolerância e da prática do diálogo".

"Graças a essa atitude, teve a capacidade de forjar importantes acordos", disse Zapatero à agência Reuters.

Cavaco Silva transmite "profundo pesar"

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, enviou ao rei Juan Carlos de Espanha uma mensagem de condolências pela morte de Adolfo Suárez, que está disponível no site da Presidência da República.

"Foi com tristeza que tomei conhecimento da notícia do falecimento de Adolfo Suárez, figura importante na história e na política de Espanha. Nesta hora de luto, apresento, em meu nome pessoal e em nome do povo português, a Vossa Majestade e ao povo espanhol, os sentimentos do meu profundo pesar, pedindo-lhe ainda que transmita as minhas condolências à família enlutada", lê-se na mensagem assinada por Cavaco Silva.

"Peço a Vossa Majestade que aceite os protestos da minha mais elevada consideração e estima pessoal", lê-se na mensagem do Presidente de Portugal.

Suárez, o "anti-Marcello Caetano"

Também Mário Soares, antigo Presidente e primeiro-ministro de Portugal, reagiu com "grande tristeza" à notícia da morte de Adolfo Suárez.
Num depoimento ao PÚBLICO

, Mário Soares recorda "um homem de excepcional inteligência política, muito rápido a tomar decisões". Suárez, diz Soares, "é o anti-Marcello Caetano",

"Conseguiu transformar a ditadura espanhola numa grande democracia e ajudou a que, mais tarde, já com Felipe González, Portugal e Espanha entrassem na CEE no mesmo dia", sublinhou o antigo Presidente e primeiro-minstro.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, também lamentou a morte do ex-presidente do Governo espanhol, através de uma mensagem partilhada na rede social Twitter: "Profunda tristeza pela morte de A. Suárez. Inspiração para políticos europeus e chave da história de Espanha. Toda a minha admiração."

Antonio López Istúriz, secretário-geral do Partido Popular Europeu, usou a mesma rede social para homenagear Adolfo Suárez: "As minhas condolências à família de Adolfo Suárez. O seu valente exemplo político perdurará sempre na nossa memória."