Quatro em cada cinco utilizadores do SNS não pagam taxa moderadora

"Não há disparate maior do que dizer que na Saúde houve cortes cegos", defende o ministro Paulo Macedo.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, e os sindicatos chegaram a acordo em Outubro de 2012
Foto
Ministro Paulo Macedo recusa um regresso ao horário das 35 horas semanais DANIEL ROCHA

Oitenta por cento dos utilizadores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) estão isentos do pagamento de taxas moderadoras, calcula o ministro Paulo Macedo. São cerca de sete milhões os cidadãos que utilizam o SNS e actualmente há 5,5 milhões isentos de taxas, explicou nesta quarta-feira o ministro da Saúde, no Porto, durante um almoço-debate em que traçou um quadro positivo da evolução deste sector que “se tem mostrado resiliente”, apesar da crise económico-financeira.

“Não há disparate maior do que dizer que na Saúde houve cortes cegos”, sustentou Paulo Macedo, contestando as críticas que lhe têm sido feitas, durante a sua intervenção sobre O Futuro do Sistema de Saúde Português, uma iniciativa organizada pelo International Club of Portugal e patrocinada pela consultora Delloite.

Lembrando que “cortar na despesa pública não é necessariamente mau”, deu o exemplo das “rendas excessivas”, nomeadamente no sector do medicamento, que têm vindo a diminuir de forma acentuada. Em resultado disso, notou, actualmente “o preço da saúde está mais baixo para as pessoas com menos recursos”.

Paulo Macedo voltou a afirmar que acredita no futuro do SNS, desde que se continue a fazer “reformas ambiciosas”. Citou, a propósito, o responsável pelo Serviço Nacional de Saúde inglês (NHS), David Nicholson, que recentemente afirmou que o NHS é “insustentável” e que “só passará a ser sustentável” se forem feitas reformas, incluindo “concentração de serviços”.

Se é isso que se pretende fazer em Portugal, porque não avançou então ainda na reforma da rede hospitalar, perguntaram-lhe à saída os jornalistas. Os hospitais vão entregar “um plano estratégico” e em breve haverá legislação, disse Macedo, que não deixou de acentuar que já foram dados vários passos neste sentido. Além dos cuidados psiquiátricos, há "uma intenção clara relativamente às maternidades” e foram criados novos centros hospitalares e unidades locais de saúde que hoje têm “outra massa crítica”, sintetizou.   

Questionado sobre a recente polémica em torno do despacho que visa aumentar o número de colonoscopias (exames que permitem diagnosticar o cancro colo-rectal) – a Ordem dos Médicos e a Associação de Luta contra o Cancro do Intestino consideram que a forma de sedação proposta é inadequada e defendem que devem ser os anestesistas e não os gastrenterologistas a assegurá-la , desvalorizou a questão. "Este é um despacho adicional e foi pedido à Direcção-Geral da Saúde que emita orientações sobre “a forma de melhorar a maneira de adicionalmente financiarmos esse tipo de exames”, explicou. Macedo acrescentou que vários hospitais públicos da região de Lisboa, onde as listas de espera são preocupantes, já disseram ter capacidade de resposta para assegurar produção adicional ,de forma a resolver "casos pendentes”.

À entrada do hotel, o ministro foi recebido por cerca de 30 pessoas que gritavam “assassino”, pediam a realização de eleições e empunhavam cartazes que diziam “Governo rua”, segundo descreveu a agência Lusa. Álvaro Agostinho, do Sindicato da Função Pública do Norte e trabalhador do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho, esclareceu que estava a manifestar-se “por causa dos direitos e da falta de saúde que os portugueses têm actualmente”. “Peço ao senhor ministro que deixe as pessoas trabalhar com qualidade (…) nos serviços de saúde”, reclamou.