Vítor Gaspar defende que Portugal precisa de um seguro depois da saída da troika

Ex-ministro das Finanças defendeu no Fórum das Políticas Públicas a necessidade de uma garantia oferecida pelos parceiros europeus.

Vítor Gaspar com Teixeira dos Santos, no debate desta quarta-feira
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Vítor Gaspar com Teixeira dos Santos, no debate desta quarta-feira Daniel Rocha

Vítor Gaspar defendeu nesta quarta-feira que Portugal deve garantir um seguro e a solidariedade dos seus parceiros europeus no momento em que sair do actual programa de ajustamento. Embora não referindo expressamente o programa cautelar, a sua posição parece apontar para a defesa desta solução.

"Para sair do programa com garantias de estabilidade, Portugal precisa do seguro e da solidariedade dos parceiros europeus", afirmou o ex-ministro das Finanças num debate realizado no ISCTE. Gaspar não concretizou se aquilo de que estava a falar era de um programa cautelar, afirmando que "as modalidades do mecanismo de seguro são importantes, mas não são fundamentais".

O ex-ministro das Finanças do actual Governo participava na manhã desta quarta-feira no arranque do Fórum das Políticas Públicas, num debate em que estavam também outros três ex-ministros: Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Teixeira dos Santos.

A questão do formato de saída do programa português foi uma das que geraram consenso entre os intervenientes, com todos a defenderem que a existência de uma garantia oferecida pelos parceiros europeus assegurava uma maior segurança na capacidade de Portugal obter o financiamento de que necessita.

O Governo português ainda está, segundo os seus responsáveis, a decidir como irá realizar a saída do programa: se com um programa cautelar, em que os parceiros europeus disponibilizam um seguro que pode ser accionado em caso de necessidade, se através da chamada "saída limpa", semelhante à que a Irlanda realizou no final do ano passado.

No mesmo debate, Manuela Ferreira Leite criticou quem defende que não se deve discutir o que fazer à dívida pública, classificando essa posição de "extremista".

"Tanto é extremista aquele que diz simplesmente que não pagamos a dívida, como é extremista quem diz que assinámos o Tratado Orçamental e que por isso não devemos discutir o assunto. É tão grave uma coisa como a outra", afirmou a ex-ministra das Finanças, alertando ainda que "não há nada mais perigoso para um país do que as posições extremistas".