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O que os papás homossexuais fazem

A decisão é essencialmente egoísta. Irresponsável, também. Infelizmente, senti vergonha da democracia portuguesa

Esta sexta-feira, a Assembleia da República (AR) votou contra a co-adopção, chumbada no parlamento por cinco votos.

Cada um de nós, espero, defende a sua ideologia. A minha, neste caso, social-democracia, não impede que eu teça críticas à sua política. A isto, chamo democracia. Um sistema que prezo, contemplo e apreço. Um sistema que os jovens têm de alimentar. A democracia não passa apenas por largar o manifesto nas urnas, a democracia é mais que isso, muito mais. A democracia faz-se todos os dias, aperfeiçoa-se todos os dias.

A decisão é essencialmente egoísta. Irresponsável, também. Infelizmente, senti vergonha da democracia portuguesa. Ora, vamos ao que interessa. Não entendo a razão pela qual esta matéria é tratada como se aqui estivesse em causa o complexo de leis ou normas que regem as relações entre os homens, quando, na verdade, estamos a discutir o futuro de uma criança, a educação, o amor que esta pode receber por parte dos papás homossexuais. O que os papás homossexuais fazem entre quatro paredes não nos devia interessar. O que eles fazem no quarto só a eles lhes diz respeito.

Segundo a nossa constituição, para proteger os de menos, a vontade dos de mais, deve submeter-se, por vezes, aos interesses das minorias. A isto, chamo justiça social e democracia. O grande problema desta questão, é que a maioria daqueles que votaram sim ao referendo, foram educados com amor, carinho, e não sabem reconhecer a importância dele na formação dum indíviduo, porque este nunca lhes faltou. O amor é essencial na educação de uma criança, na formação desta, e na felicidade que pode alcançar ao longo do seu percurso de vida. Em primeiro lugar, e porque acredito no amor, garantidamente, o mais importante na vida de uma criança é o amor. Tive uma infância atribulada. Vivi apenas com a minha mãe, que chegou a trabalhar de noite e de dia, fiquei com os meus tios, com os meus avós, e não cresci com um pai presente. Porém, consegui sempre, definir as minhas prioridades, os meus objectivos e sei muito bem aquilo que quero. Ou seja, não cresci numa família convencional, mas fui amparado e protegido com amor.

Enfim, se por ventura, os nossos deputados não conseguem colocar-se na pele do outro, não podem, evidentemente, exercer política, fazer política. Colocar-se no lugar do outro é um acto nobre e sensível que qualquer político deve possuir.

Rematando, se os deputados não conseguem colocar-se no papel do outro ou, não podem exercer livremente o seu mandato, mais vale não saírem de casa.

É tudo muito confuso em Portugal, faz-se tudo em cima do joelho. A mentalidade será sempre o nosso troço. Aquele que nos impede de rejuvenescer a nossa sociedade.