Inês Lobo vence segunda edição do prémio ArcVision – Women and Architechture

Júri do galardão que distingue mulheres arquitectas decidiu premiar a portuguesa por unanimidade, destacando a sua versatilidade e criatividade na resolução de problemas.

Inês Lobo, à esquerda, na apresentação da representação portuguesa na Bienal de Veneza
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Inês Lobo, à esquerda, na apresentação da representação portuguesa na Bienal de Veneza DANIEL ROCHA
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Inês Lobo e o director-geral das Artes, Samuel Rego DANIEL ROCHA

A decisão do júri foi unânime e distinguiu a arquitecta portuguesa Inês Lobo com o ArcVision Prize – Women and Architecture, um galardão internacional que distingue jovens arquitectas e designers e que vai na sua segunda edição. Com um prémio de 50 mil euros e um estágio de duas semanas no i.lab, o centro de investigação da Italcementi Group, que promove o galardão, Inês Lobo foi escolhida por ser “uma arquitecta versátil, reconhecida pela sua capacidade de trabalhar em diferentes escalas, integrando novos edifícios em tecidos urbanos já existentes e atacando criativamente problemas arquitectónicos complexos”.

O comunicado que revela a distinção de Inês Lobo descreve a escolha do júri como “entusiástica”, sendo que esse mesmo júri inclui alguns dos nomes mais respeitados e influentes do sector, como a directora do Óscar da arquitectura, o prémio Pritzker, Martha Thorne, ou Kazuyo Sejima, do atelier japonês SANAA que venceu o Pritzker em 2010. O anúncio do prémio foi feito no passado sábado em Bergamo, em Itália, e o nome da arquitecta portuguesa foi seleccionado a partir de uma short list de 21 autoras de 15 países. O júri destaca “o contraponto rico que ela estabelece entre os edifícios existentes e os novos elementos que cria”, bem como “a integridade e autenticidade das suas obras”. “Os seus edifícios reflectem a sua abordagem independente e livre da arquitectura, como criadora de espaços sociais.”

Inês Lobo comissariou a participação portuguesa na Bienal de Veneza de 2012 e integrou a representação de Portugal na mesma bienal em 2009. É professora convidada na Universidade Autónoma de Lisboa, tendo-se licenciado na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, e é autora de vários projectos de requalificação, nomeadamente em escolas portuguesas. Com atelier próprio desde 2002, o júri destaca da sua obra o Complexo de Artes e Arquitectura da Universidade de Évora e a sede da empresa Ferreira Construções, na Avenida da Boavista, no Porto. “Ela é rigorosa, muito dotada no que toca ao uso e combinação de materiais. Embora os seus edifícios possam parecer discretos, são extremamente poderosos em termos de geometria e [são] radicais na sua abordagem”, lê-se na mesma nota da organização.

Quando foi contactada pela organização do prémio, a arquitecta disse-se surpreendida por ter sido distinguida com um "prémio importante, com tal visão internacional e também porque sublinha que ainda é difícil ser uma mulher arquitecta". Lobo comentou ainda que o prémio chega no ano em que se assinala o centenário do nascimento da arquitecta Lina Bo Bardi, porque "há um século era ainda era ainda mais difícil para as mulheres" afirmarem-se na profissão. Dedicou o prémio a todos os que a fazem acreditar "que a arquitectura é uma forma poderosa de construir um mundo melhor para todos, independentemente de serem homens ou mulheres". 

O prémio, que na sua primeira edição distinguiu a brasileira Carla Juaçaba, autora do Pavilhão Humanidade da cimeira Rio+20, foca-se em trabalhos que sejam exemplo de inovação tecnológica, qualidade ambiental ou responsabilidade social, além de elementos estéticos, de funcionalidade e custos. Tem como principal objectivo realçar a figura da mulher designer na arquitectura contemporânea  – “com este prémio, queremos sublinhar a visão feminina da arquitectura à medida que muda e se molda aos actuais modelos sociais e humanos”, resume o CEO da Italcementi, Carlo Pesenti.

A segunda edição do ArcVision atribuiu ainda menções honrosas à austro-alemã Anna Heringer, à indiana Shimul Jhaveri Kadri e à arquitecta chilena Cecilia Puga. Os nomes candidatos ao prémio são fruto de sugestões de conselheiros do prémio, que depois são avaliados por uma comissão que chega a short list analisada pelo júri.