Assis diz que problema do país não é Angela Merkel mas Passos Coelho

Francisco Assis foi apresentado oficialmente como candidato do PS ao Parlamento Europeu no Porto.

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Fernando Veludo/NFactos

Francisco Assis afirmou esta quarta-feira à noite que o responsável pela situação crítica que o país vive é o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e não a chanceler alemã Angela Merkel, ao contrário do que dizem muitos dirigentes da actual maioria PSD/CDS .

"O problema do país não é a senhora Merkel, é mesmo o primeiro-ministro que fez do programa de ajustamento financeiro o seu programa ideológico para governar o o país", sublinhou o cabeça de lista do PS na sessão de apresentação da sua candidatura ao Parlamento Europeu, que decorreu na Alfândega do Porto.

Assis apontou as diferenças entre a candidatura socialista, por si encabeçada, e aquela que é liderada pelo social-democrata Paulo Rangel, dizendo que o cabeça de lista da Aliança Portugal (PSD/CDS) protagoniza um projecto "de manutenção da austeridade para Portugal". "A opção que temos que fazer é muito simples, como quase todas as dicotomias da vida: a diferença entre a resignação ao situacionismo em Portugal e na Europa e a forma cívica como nós vemos a política".

Escolhido e anunciado o candidato, António José Seguro vai agora tratar da lista ao Parlamento Europeu (PE), que será divulgada até ao final deste mês. Embora o secretário-geral do PS tenha sido inflexível na aplicação da lei de limitação de mandatos nas recentes eleições autárquicas, tudo indica que aquele princípio não será aplicado nas europeias, uma opção que não agradará a alguns elementos da sua direcção.

No PS, as opiniões dividem-se. Uns acreditam que o líder do partido não vai mexer muito na lista, dando como garantida a recondução de Elisa de Ferreira, que já cumpriu dois mandatos, Correia de Campos e Vital Moreira. De saída poderá estar o eurodeputado Capoulas Santos, distinguido pelo Parlamento Europeu no âmbito do Prémio “Eurodeputados 2014” na área da agricultura e desenvolvimento rural, e Luís Paulo Alves (Açores). Fonte do PS disse ao PÚBLICO que, para o lugar do eurodeputado dos Açores, deverá ser indicado um outro socialista da região. Refira-se que, nas eleições autárquicas de Setembro, Capoulas Santos recusou encabeçar a lista do PS à Câmara de Évora, que regressou às mãos da CDU.

Um dos nomes de que se tem falado para integrar a lista do PS ao Parlamento Europeu é o do ex-líder da UGT João Proença, que já fez saber que gostaria de ser eurodeputado, bem como o do ex-líder parlamentar socialista Carlos Zorrinho.

Embora Francisco Assis tenha rejeitado que as eleições europeias sejam um teste à oposição, no PS os adversários de Seguro não se cansam de lembrar que nas eleições europeias de 2004, Eduardo Ferro Rodrigues, que ontem esteve na sessão de apresentação do cabeça de lista ao PE, obteve de 44% dos votos. Uma fasquia ambiciosa. Tal como agora, o PS estava na oposição. Dez anos antes, nas europeias de 1994, em que António Vitorino foi cabeça de lista, o PS venceu as eleições com uma diferença pequena: oito mil votos. António Guterres era o líder do PS na altura. Um ano depois venceria as eleições legislativas, derrotando o PSD então já sob a liderança de Fernando Nogueira.

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