Várias derrocadas em Pompeia depois de chuvas fortes

Situação na cidade preservada sob a lava do Vesúvio preocupa novo Governo italiano.

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Zonas afectadas estão fechadas aos visitantes REUTERS/Ciro De Luca
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O último incidente foi a queda de um muro de dois metros DR

Fortes chuvadas em Itália provocaram, nos últimos dias, pelo menos três derrocadas nas ruínas de Pompeia, revelando os problemas de conservação que afectam este património mundial, classificado pela Unesco em 1997.

Depois do terceiro incidente, na segunda-feira, que provocou a queda de um muro de dois metros, o presidente da Comissão Nacional Italiana para a Unesco, Giovanni Puglisi, declarou que “não há tempo a perder do ponto de vista burocrático”, e que é necessário “um plano de intervenção extraordinário, que garanta a segurança de toda a área de Pompeia”. Puglisi, citado pelo diário italiano La Repubblica, sublinhou a importância de se criar um sistema de drenagem das águas da chuva na zona, caso contrário, disse, “é claro que toda a Pompeia está destinada a desabar”.

Pompeia, situada aos pés do vulcão Vesúvio, ficou preservada sob a lava quando o vulcão entrou em erupção, em 79 d.C., foi redescoberta no século XVIII, e é um testemunho único do que era a vida quotidiana no Império Romano. Nos últimos dias, a chuva provocou primeiro a derrocada de uma parte do muro do Templo de Vénus, afectando depois uma loja e o túmulo de Lucius Publicius Syneros.

No domingo, novas chuvadas derrubaram o arco do Templo de Vénus (numa zona que já estava fechada aos visitantes) e um muro em redor da necrópole de Porta Nocera (numa área que foi agora também interdita). O jornal Il Sole 24 Ore recorda que em Novembro de 2013 as condições metereológicas também já tinham provocado uma série de estragos importantes em Pompeia.

Depois das derrocadas de domingo, o novo ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini pediu explicações sobre o sucedido e convocou uma reunião para fazer um levantamento dos estragos sofridos na cidade. Será também o momento para fazer o balanço do projecto de restauro Grande Pompeia, que conta com um financiamento de 105 milhões de euros da União Europeia, e cujos trabalhos têm avançado muito lentamente, pondo em risco o cumprimento do prazo de conclusão, previsto para Junho de 2015.

Há já bastante tempo que a situação de Pompeia preocupa os responsáveis italianos e a Unesco. Em Dezembro, conta ainda o Il Sole 24 Ore, conseguiu-se evitar que a cidade fosse colocada na lista da Unesco para o património em risco. Mas, a agravar o problema, está o facto de haver neste momento um vazio na direcção do local arqueológico, dado que a recente nomeação de um responsável ainda não recebeu a luz verde do Tribunal de Contas.