Estudo aponta probabilidade de manipulação do preço do ouro

A cotação é fixada todos os dias, em Londres, por agentes do mercado e é gerida por cinco dos maiores bancos europeus.

Cotação é fixada todos os dias em Londres
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Cotação é fixada todos os dias em Londres Lisi Niesne/Reuters

Uma investigação conduzida por Rosa Abrantes-Metz, uma professora de origem portuguesa que trabalha na Universidade Stern, em Nova Iorque, e por um analista da agência de notação financeira Moody's, Albert Metz, concluiu que há fortes probabilidades de a cotação do ouro ter sido manipulada na última década.

Os dois investigadores, que produziram o trabalho em regime de autonomia face às instituições onde trabalham e que ainda não foi publicado, verificaram que nos últimos dez anos existe uma tendência na fixação dos preços do metal precioso, o que poderá ser resultado de manipulação e conluio entre os agentes que contribuem para a formação do preço de mercado, avança este domingo a agência Bloomberg.

A cotação oficial do euro, que é utilizada pelos detentores de minas, pela indústria de joalharia e pelos bancos centrais nas suas transacções, começou a ser fixada em 1919. É acertada, todos os dias, às 10h e às 15h, através de conference-call, pelos representantes dos cinco maiores intermediários da matéria-prima. A gestão do preço final é, depois, apurada por cinco bancos de perfil mundial: Deutsche Bank, Bank of Nova Scotia, HSBC, Barclays e Société Générale.

Segundo as regras da Lond Gold Market Fixing, cada firma declara o número de barras de ouro que está disposta a vender ou a comprar nesse dia ao preço de referência em uso. A negociação começa e o preço vai variando até que a disponbibilidade de barras de ouro caia abaixo das 50. É então fixado o preço de referência para o novo período.

Acontece que os bancos que gerem a cotação acompanham a negociação, que pode ir de 10 a 60 minutos, e ao longo desse período podem ir realizando operações com base na cotação do ouro, nomeadamente com produtos derivados associados à cotação do precioso metal.

Rosa Abrantes-Metz, que fez uma investigação que acabou por estar na base da descoberta da manipulação da taxa de referência interbancária Libor, afirmou à Bloomberg que "esta foi uma primeira tentativa de evidenciar uma potencial manipulação e os resultados são preocupantes. Cabe aos reguladores perceber por que é que há uma tendência na fixação dos preços".

Na semana passada, a autoridade financeira britânica referia estar, também, atenta ao que acontece com a fixação dos preços das matérias-primas (commodities), mas lembrava que não detém competência para intervir na sua formação. A entidade monitoriza o mercado de derivados que assenta no preço do ouro, que não tem poderes para supervisionar. Por isso, pedia alterações das regras locais e internacionais de forma a evitar tentativas de manipulação.

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