Primeiro-ministro da Crimeia apela a Putin para "garantir a paz"

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Homens armados guardam o parlamento regional em Simferopol David Mdzinarishvil/REUTERS

O primeiro-ministro pró-russo da Crimeia anunciou que o referendo sobre o estatuto da região vai ser adiantado para 30 de Março, em vez de 25 de Maio, como estava previsto. Sergei Aksionov pediu ainda ajuda ao Presidente russo Vladimir Putin “para garantir a paz na Crimeia”, quando continua a registar-se a presença de tropas russas na região.

Fonte do Governo de Moscovo disse, sob anonimato, que este apelo não vai ser ignorado, e a Duma aprovou uma moção pedindo a Putin que tome medidas. O Presidente norte-americano, Barack Obama, avisou por sua vez na véspera que “qualquer violação da integridade territorial e soberania da Ucrânia seria profundamente desestabilizadora”.

Aksionov disse que as forças russas estão a guardar alguns edifícios públicos na Crimeia, com o consentimento das novas autoridades da região, onde a maioria dos habitantes é étnica e culturalmente russa, diz a Reuters. Em Sebastopol, a maior cidade da Crimeia, fica a base naval russa onde está estacionada a frota do Mar Negro.

O aeroporto internacional de Simferopol, a capital da Crimeia, está encerrado. “Devido a limitações no uso do espaço aéreo, o aeroporto suspendeu temporariamente a recepção de voos”, diz um comunicado distribuído pelo aeroporto, que foi na sexta-feira tomado por homens armados.

Fontes militares ucranianas dizem que homens armados russos também controlam dois aeroportos militares na região. Moscovo tinha antes negado que estava a intervir, dizendo que as suas tropas estavam apenas a proteger a sua frota no Mar Negro. 

Valentina Matviyenko, presidente do Conselho da Federação russa (câmara alta do Parlamento), afirmou que “a Rússia não pode ficar indiferente ao facto de as vidas dos russos na Crimeia estarem em perigo”, e adiantou que o país poderá enviar “uma força limitada para proteger russos e a frota naval”.

O primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseni Iatseniuk, acusou a Rússia de estar tentar provocar uma escalada. A Rússia acusou pelo seu lado “homens armados de Kiev” de terem tentado tomar o ministério do Interior da Crimeia durante a madrugada, e o “círculo político de Kiev” de tentar “manobras de desestabilização”.

O correspondente da BBC em Sebastopol, Mark Lowen, diz que apesar de não haver confirmação de quem são os homens armados que estão a posicionar-se em zonas-chave do território, não parece haver provas do que a Ucrânia diz ser a “ocupação e invasão militar da Crimeia”. “Não parece ter chegado tão longe – ainda”, comenta Lowen. “As cidades estão relativamente clamas e não há sinais de uma revolta armada, só o controlo que continua de locais-chave como aeroportos e edifícios de comunicações.”

Mas o enviado da estação britânica privada ITV, James Mates, dizia no Twitter que as tropas russas estão a assumir acções de policiamento em Simferopol. “A ocupação está agora abertamente visível”, comentou.

Por outro lado, jornalistas descrevem manifestações pró russas em Donetsk e outras cidades do Leste da Ucrânia, onde também a maioria da população se define como de origem russa, e onde se localiza o bastião do Presidente deposto Victor Ianukovich. Segundo a AFP, 10 mil manifestantes saíram à rua em Donetsk, com bandeiras russas e gritos de “Rússia, Rússia”.