Bento vai experimentar mais antes da lista para o Mundial

Rafa e Ivan Cavaleiro são as novidades na convocatória da selecção portuguesa que defronta os Camarões na próxima quarta-feira.

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Bento: "Queremos conhecer melhor alguns jogadores que ainda não foram chamados" Francisco Leong/AFP

A 19 de Maio, logo a seguir à final da Taça de Portugal, Paulo Bento vai anunciar a lista dos 23 convocados para o Mundial que se vai disputar no Brasil. Na última sexta-feira, anunciou a lista dos 23 que vão defrontar os Camarões na próxima quarta-feira, em Leiria, e garantiu que é para “conhecer melhor alguns jogadores”. Assim justificou as chamadas de Rafa (Sp. Braga) e Ivan Cavaleiro (Benfica), as novidades da convocatória, e de Anthony Lopes (Lyon) como um dos guarda-redes — que ainda não se estreou. Mas esta lista também é notável pelas ausências e, tendo em conta o conservadorismo de Bento nas suas escolhas, muita coisa irá mudar na convocatória final.

O seleccionador nacional parece estar a seguir um caminho diferente daquele que fez para o Euro 2012. Na sua última lista, antes da convocatória final, para um particular com a Polónia, Bento já fixara quase todas as suas escolhas. Para esse jogo com os polacos, a lista incluiu 21 dos 23 da convocatória para o Europeu, sendo que, durante a preparação, houve mais uma mudança. De uma convocatória para a outra, saíram Manuel Fernandes e Nélson, entraram Custódio e Miguel Lopes, sendo que Hugo Viana viria a substituir Carlos Martins já durante o estágio em Óbidos.

Olhando para a lista que Bento divulgou, há muita gente que não está lá, mas que costuma ser indiscutível nas suas opções para o “onze” principal, como são os casos de Rui Patrício, Hélder Postiga, Nani e Bruno Alves, nomes que, em circunstâncias normais, estarão entre as opções finais para o Brasil. Ou seja, esta será a grande oportunidade para muitos agarrarem o lugar num quadro de muitos condicionalismos, como são as lesões de jogadores como Postiga, Nani, Éder ou Vieirinha.

Desde que Paulo Bento assumiu o cargo de seleccionador nacional, pouco depois do Mundial 2010, já promoveu a estreia de 19 jogadores, o último dos quais William Carvalho, uma das grandes revelações da Liga portuguesa, que foi suplente utilizado no jogo da segunda mão do play-off com a Suécia. Mas nem todos se assumiram como opção regular, casos de André Santos, André Martins ou Licá. Outros impuseram-se como titulares indiscutíveis, como Rui Patrício e João Pereira, enquanto jogadores como Luís Neto, Rúben Micael ou Éder são presenças regulares — um pouco menos no caso do avançado do Sp. Braga, que tem sido muito afectado por lesões.

É o próprio seleccionador nacional a admitir que esta lista está longe de ser a que vai fazer para o Mundial do Brasil, apesar de já ter uma base. “Há um leque de jogadores que podem fazer parte das nossas escolhas até 19 de Maio, dia da convocatória definitiva. Tenho dito que existe uma base com alguma estabilidade nas nossas escolhas, mas tentando que seja sempre um grupo aberto. Queremos conhecer melhor alguns jogadores que ainda não foram chamados à selecção A, mas que têm tido um trajecto nos seus clubes e nos sub-21 que lhes permitiu chegar aqui. É verdade que é um estágio muito pequeno, mas é a derradeira oportunidade para termos esse conhecimento”, frisou Paulo Bento.

Polivalência é importante
De fora da convocatória ficou o brasileiro do FC Porto Fernando, cujo processo para poder alinhar na selecção portuguesa, garante Paulo Bento, ainda não está concluído. Mas a novidade no discurso do técnico foi mesmo admitir que o médio portista poderá estar entre as suas futuras escolhas. “O Fernando não está nem podia estar convocado por problemas que estão à margem da questão desportiva. O mesmo que acontece com o Fernando, acontece com qualquer outro jogador: o facto de não estar aqui neste momento não significa que não possa vir a estar na convocatória para o Mundial”, explicou.

Quanto às chamadas de Rafa e Cavaleiro, Bento reconhece que o médio do Sp. Braga tem tido maior protagonismo que o avançado do Benfica, justificando a chamada de ambos com a polivalência que têm apresentado: “O Rafa pode jogar nos dois corredores laterais e também na função de número 10. Traz muitas soluções. O Ivan tem muitos minutos na equipa B e alguns na equipa principal. O facto de jogar em ambos os corredores ou como ponta-de-lança traz mais soluções ao grupo.”