BE acusa Governo de “empurrar” mais austeridade para depois das eleições

Pedro Filipe Soares diz que Estado está a salvar bancos privados sem exigir que aumentem o crédito
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O BE fala esta tarde sobre a proposta do PSD Nuno Ferreira Santos

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, acusou nesta sexta-feira o Governo de "empurrar para depois das eleições" as "más notícias" de mais austeridade que terá de dar ao país na última avaliação da troika.

"O que marca esta conferência de imprensa é o Governo não ter dito, com transparência, olhos nos olhos, quais são as medidas que já esta a preparar para apresentar à troika na última avaliação", afirmou o presidente da bancada bloquista.

O BE reagia, no Parlamento, à conferência de imprensa do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, sobre as conclusões da 11ª avaliação da ´troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) ao programa de assistência financeira português.

"Quando o FMI e a Comissão Europeia nos dizem que teremos mais austeridade em 2015, o que o Governo deveria ter dito hoje é aquilo que está a esconder, e não tentar tornar natural empurrar para depois das eleições europeias as más notícias que terá que dar ao país", argumentou.

Para Pedro Filipe Soares, "esta 11ª avaliação, bem espremida, não traz novidade nenhuma a não ser o Governo não falar com transparência", porque, afirmou, "o desemprego continua em valores exorbitantes" e a "destruição feita nos salários e das pensões ao longo de dois anos levará mais de uma década a recuperar".

O líder parlamentar bloquista sublinhou que o Governo pretende "tornar permanentes os cortes que dizia temporários" e mente a esse respeito.

"O Governo não fala toda a verdade quando atira para a última avaliação a apresentação de novas medidas. A indicação que nos dá é que o último capítulo do memorando da troika será um novo capítulo sangrento de ataque aos direitos das pessoas e de ataque ao estado social", afirmou.

"E mente quando diz que não vai fazer nenhuma alteração salarial. Se nós percebermos que é que significa a criação de uma tabela única, as alterações na contratação colectiva, a revisão dos complementos na administração pública, tudo isto, mais os despedimentos, é reduzir o salário, alterar as condições e os direitos de trabalho", sublinhou.

Segundo o líder parlamentar bloquista, "o Governo destruiu muito mais do que consegue recuperar".

"Este caminho foi o caminho da destruição e não é o caminho da recuperação", afirmou.