David Mateus: “Gosto do desafio de tentar subir”

O jogador do Caldas Groundlink considera que o confronto frente ao RC Lousã, no próximo sábado, será o grande teste à capacidade da equipa do Oeste

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Depois de quase duas décadas ligado ao Belenenses, David Mateus, de 33 anos, trocou no início da época o clube do Restelo pelo projecto do Caldas Groundlink e, seis meses depois, considera que foi “uma boa aposta”.

O internacional português, que esteve presente no Mundial 2007, acredita que a equipa das Caldas pode subir já este ano, mas alerta que “terá que haver mais trabalho” para que o clube, em caso de promoção, se consiga afirmar na Divisão de Honra.

No início desta época trocou o Belenenses pelo Caldas Groundlink. Que balanço faz, ao fim de seis meses, desta nova experiência?

Não foi fácil sair do Belenenses, clube onde joguei 18 dos meus 23 ou 24 anos de râguebi. Tinha lá muitos amigos e fiquei um pouco triste por abandonar a equipa. Também não é fácil fazer viagens constantes entre Lisboa a as Caldas da Rainha, mas adaptei-me rapidamente ao clube, onde toda a gente é impecável.

Trocou um clube que luta regularmente por títulos nacionais por uma divisão secundária. Como está a correr esta transição?

O râguebi na I Divisão não está ao mesmo nível de uma equipa como o Belenenses, mas sabia que ia para um clube ambicioso que tem bons jogadores. Foi importante, para a decisão que tomei, ir trabalhar para a Groundlink, com quem tinha um pré-acordo e onde encontrei um bom emprego onde recebo a tempo e horas. A presença do Nuno Taful, o manager da equipa, também foi decisiva.

Como tem sido a progressão da equipa? Acredita que é possível subir de divisão?

A equipa está a evoluir, a ganhar consistência e a acreditar cada vez mais em si própria. Subir não era o principal objectivo. Primeiro queríamos construir uma equipa, mas já temos essa ambição. As bases já existem e estamos no bom caminho para conseguirmos subir.

Ficou surpreendido com o que encontrou?

Era o que estava à espera. Ainda não há o nível da Divisão de Honra. Falta um pouco mais de trabalho de ginásio da parte de alguns jogadores e os “skills” não são tão bons. Mas a equipa ainda está a ser construída. Se subirmos terá que haver mais trabalho, mas não estou desiludido. Foi uma boa aposta. Gosto do desafio de tentar subir de divisão e de construir uma equipa.

No próximo sábado defrontam o RC Lousã que, em teoria, é o principal adversário na luta pela promoção. Será o grande teste à capacidade da equipa?

Sim, vai ser. No primeiro jogo, na Lousã, eu não estava a 100% e faltava um ou outro jogador. A equipa também não estava formada e não tínhamos o sistema de jogo que existe agora. Mesmo assim, perdemos por uma diferença inferior a um ensaio convertido. Agora temos mais treinos em cima e mais confiança. Mas a Lousã também tem os seus estrangeiros e tem uma boa equipa. Vai ser difícil. Pode dar para um lado ou para ou outro. Depende de quem der mais e de quem for mais consistente. Vai vencer quem cometer menos erros.

Com a experiência que tem, acha que o Caldas Groundlink, em caso de subida, terá capacidade para se manter na Divisão de Honra?

A equipa está motivada e tem mais gente a fazer um bom trabalho, mas há malta mais velha na primeira-linha e não sei se alguns continuarão a jogar no próximo ano. Mas mesmo que continuem, precisamos de ter um maior embate por parte dos avançados. Nos três-quartos estamos melhor e bem servidos. É necessário que haja também um pouco mais de empenho, que os jogadores queiram evoluir e façam mais ginásio. E o reforço de um ou dois jogadores para posições específicas.

O David Mateus esteve no Mundial 2007 e completou quase 40 jogos pela selecção nacional de XV. Como vê o actual momento da equipa portuguesa?

É uma questão sensível. Não sei se a vinda de tantos jogadores de fora está a prejudicar. Talvez não. Têm vindo menos agora e são para posições específicas...

Falta a união e o espírito de sacrifício que havia no seu tempo?

Não estou lá, mas parece. A federação também não tem dinheiro e isso não ajuda. E depois, prometem que pagam por isto e aquilo. Os pagamentos chegaram a estar muito atrasados e, apesar de estarem a regularizar as contas, posso dar o meu exemplo na selecção de sevens. Vou duas vezes por dia ao Estádio Nacional e gasto quase 10 euros de gasolina que não me pagam. Custa-me e irrita-me um bocadinho. Isso também pode estar a afectar a selecção de XV.

Após a vitória na Bélgica, a qualificação para Mundial 2015 ainda é um cenário realista?

Não é impossível, mas está muito, muito longe…