Parque de estacionamento no Cais do Sodré tem em exposição vestígios romanos

O parque subterrâneo, na Praça D. Luís I, foi inaugurado esta quinta-feira.

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Os arqueólogos encontraram uma enorme rampa de lançamento de barcos do sec XVI Pedro Cunha

Lisboa ganhou esta quinta-feira um novo parque de estacionamento subterrâneo, com 202 lugares, junto ao Cais do Sodré. No parque é possível apreciar alguns dos vestígios arqueológicos que foram descobertos durante a sua construção, incluindo ânforas e peças de cerâmica romanas.

A construção desta infra-estrutura, localizada na Praça D. Luís I, começou em 2010 mas só agora ficou concluída. José Tavares da Silva, presidente do conselho de administração da Empark, a empresa com quem a Câmara de Lisboa celebrou um contrato de gestão do espaço por 55 anos, lembrou que esta obra “teve algumas vicissitudes, decorrentes dos achados arqueológicos encontrados”.

Como o PÚBLICO noticiou em 2012, no local foram descobertas uma grade de maré do século XVII (para reparação naval ou lançamento de embarcações) e partes de um navio dessa época, além de uma escadaria e um paredão do Forte de S. Paulo (século XVII), parte do Cais da Casa da Moeda (século XVIII) e fornalhas da Fundição do Arsenal Real (século XIX). Mais tarde os arqueólogos encontraram também um fundeadouro romano (um local de ancoragem de embarcações) usado entre os séculos I a.C. e V d.C., uma madeira de uma embarcação, meia centena de ânforas e peças de cerâmica.

O parque de estacionamento agora inaugurado tem quatro pisos, em cada um dos quais é possível ver alguns dos materiais descobertos durante as escavações, bem como instrumentos utilizados pelos arqueólogos nos seus trabalhos. Esses objectos, devidamente legendados, encontram-se expostos em vitrines de vidro, nas escadas de acesso a peões em cada um dos andares e numa zona contígua ao elevador no piso -1.

Na abertura desta infra-estrutura marcaram presença o vereador Manuel Salgado, da maioria, e Fernando Seara, do PSD. O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, esteve ausente, embora na placa que foi descerrada na ocasião constasse o seu nome.

No seu discurso, Manuel Salgado lembrou as dificuldades desta obra, que segundo a Empark teve um custo de seis milhões de euros. Entre elas, elencou o vereador do Urbanismo e da Reabilitação Urbana, os trabalhos arqueológicos mas também “a conjuntura, que é extremamente adversa para as empresas de construção”. Foi, admitiu, uma empreitada “extremamente penosa” para os residentes e comerciantes da zona, “pelo tempo que acarretou”.

O autarca sublinhou que está é “uma obra particularmente importante”, da qual poderão beneficiar “várias actividades” da área do Cais do Sodré. Até porque, disse, permitiu uma “melhoria da qualidade do espaço público”.