Opinião

Sobre as praxes académicas e não só

Para que a minha posição seja transparente, devo dar-vos publicamente contas dela:

Não me identifico com o Bloco de Esquerda, nem, neste momento, com qualquer outro partido. Da esquerda à direita, nunca um único deputado – nem de resto nenhum governante – se levantou para dizer que estava disposto a, voluntariamente, ver cortado o seu salário e a renunciar às benesses de que goza, por solidariedade para com o povo que representa, que viu o seu salário drasticamente reduzido, independentemente da sua vontade ou da situação económica em que se encontra, para onde aliás foi levado pela péssima gestão do dinheiro que pagou com os seus impostos, ao longo de décadas e sob sucessivos governos.

Não me revejo na Assembleia da República, nem na forma como os deputados são eleitos. No entanto, enquanto não conseguirmos uma Assembleia mais representativa e aberta, é com a que existe que temos de dialogar.

Assim, apoio as iniciativas que considero justas e no interesse do país, venham de que partido vierem. Uma boa ideia não passa a ser má nem deve ser rejeitada por vir do partido A ou B. No meu entender, quem assim procede faz política apenas partidária, e essa tem sido justamente uma das nossas grandes falhas, que não deixa o país avançar.

Em relação às praxes académicas, que é um assunto que merece a nossa atenção e reflexão, o Bloco de Esquerda foi o único partido a tomar uma atitude, com a qual estou plenamente de acordo.

Por isso subscrevi o apelo “Para que tudo não fique na mesma – Pôr fim à violência da praxe”, que me foi enviado em português europeu, com a garantia de que a versão onde constará o meu nome deverá estar nos meios de comunicação social numa versão sem Acordo Ortográfico.

Escritora