Opinião

A idade para trás

À medida que nos vamos afastando do ano em que nascemos a nossa amplitude histórica vai-se tornando mais espectacular, antiquária e deprimente.

Na coluna dele no Spectator desta semana, Matthew Parris, revisita o Zimbabwe e põe-nos a pensar na maneira como a infância nos acompanha através dos anos. Vale a pena ler. Conclui reparando que, quando nasceu (estava mais próximo das guerras anglo-boer (1880-81 e 1889-1902) do que está agora, com 64 anos, do ano em que nasceu, em 1949.

Usando esta técnica espantosa subtrai-se a nossa idade do ano do nosso nascimento e chega-se ao ano antes de nascermos igualmente distante do ano em que estamos agora. No meu caso, nascido em 1955, o ano é 1897. Em 1900 estava apenas a 55 anos de nascer mas hoje já estou a 58 anos do ano em que nasci.

Some um ano a esse número (no meu caso 1897) e ficará com um ano mais próximo do seu nascimento do que do seu mais recente aniversário. Se, por exemplo, tem 32 anos e nasceu em 1982 estava tão próxima do ano de 1950, quando nasceu, como está hoje do ano em que nasceu.

No dia em que nasci estava um ano mais próximo da invasão de Puerto Rico pelos Estados Unidos da América na Guerra Hispano-Americana, a 25 de Julho de 1898, do que estou hoje do dia em que nasci. 

Tomando a nossa idade como número de anos antes de nascermos podemos investigar o que se passou no mesmo número de anos antes de termos nascido. É chocante mas, ao mesmo tempo, esclarecedor. À medida que nos vamos afastando do ano em que nascemos a nossa amplitude histórica vai-se tornando mais espectacular, antiquária e deprimente.