Santana defende o Estado Social e diz que "há limites" para as divergências

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Miguel Manso

Santana Lopes foi ao Congresso do PSD falar da social-democracia, defender o Estado Social e o Serviço Nacional de Saúde. Mas não esqueceu de criticar aqueles que no partido divergem, não por convicções ideológicas, mas por causa de funções que deixam de ocupar. O ex-líder do PSD e ex-primeiro-ministro referia-se a António Capucho, que deixou de representar o PSD no Conselho de Estado.

Santana Lopes também se referiu ao comentador do programa Quadratura do Círculo, da SIC Notícias, Pacheco Pereira, falando de "círculos mais quadrados ou mais obtusos". Santana comentou que "há limites" para as divergências internas e disse não entender quem permanece no PSD apesar de nunca estar de acordo com o partido. O congresso aplaudiu.

O ex-presidente do PSD começou por dizer que o país “está melhor nas contas públicas” do que há dois anos, mas rapidamente falou dos “problemas gritantes” que todos os dias lhe chegam desde que passou a ser provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

“O telefone toca de manhã à noite”, disse, partilhandos as dificuldades que algumas pessoas têm para encontrar onde instalar os seus familiares quando os hospitais já não podem ficar com eles, porque querem poupar dinheiro”. A partir daqui avisou que a saúde não pode ser tratada como o sector da justiça. “Compreendo o esforço que a ministra da Justiça está a fazer (…), mas a saúde não pode ser encarada da mesma maneira”, alertou o presidente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. “O primeiro dos bens e o mais importante é a saúde”, sublinhou, apelando para que se invista neste sector.

Quanto ao "vai-não-vai" dos ex-líderes ao Congresso do Coliseu dos Recreios, Santana Lopes lembrou que sempre disse que viria e depois brincou com a situação. “O congresso parecia uma festa de aniversário surpresa: Não era para vir ninguém, depois apareceram alguns e no fim estavam cá todos” . E prosseguiu: “O facto de as pessoas virem ao congresso tem  seu significado”.

Santana abordou a questão das expulsões no partido. Não se quis envolver muito no processo, mas não deixou de dizer que António Capucho foi responsável pelas normas estatutárias que levaram à sua própria expulsão.