G20 chega a acordo para acelerar crescimento da economia mundial em 2%

Medidas concretas do Plano Acção Brisbane serão apresentadas em Novembro, para um horizonte de cinco anos..

FMI retrata dificuldades do país no regresso aos mercados
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Christine Lagarde, directora do FME congratula-se com acordo alcançado. SAUL LOEB/AFP

Os ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais dos países do G20, reunidos em Sydney, na Austrália, acordaram este domingo acelerar o crescimento da economia mundial em 2%, nos próximos cinco anos.

"Embora a economia mundial se encontre longe de alcançar um forte crescimento sustentável e equilibrado, vamos desenvolver políticas ambiciosas, mas realistas, a fim de melhorar o Produto Interno Bruto global em mais de 2%. Um caminho que envolve a implementação de políticas actuais ao longo dos próximos cinco anos ", refere o comunicado final da reunião.

Para atingir esse crescimento, o G20 estabeleceu o Plano Acção Brisbane, que incluirá medidas concretas, a apresentar pelos países membros do G20. Essas acções, que deverão incluir programas de investimento e novas políticas comerciais, serão apresentadas em Novembro, na reunião dos primeiros-ministros das maiores economistas do mundo, a realizar a cidade australiana de Brisbane.

O responsável pelo Tesouro da Austrália e anfitrião do encontro, Joe Hockey, classificou de  “ambicioso" mas "tangível" o acordo agora alcançado e que era de certa forma esperado pelos mercados financeiros. 


Os países que integram o G20 representam 85% da economia mundial, e Joe Hockey destacou que uma maior acção na política monetária nos países desenvolvidos “tem um impacto [positivo] sobre as economias emergentes”.

A directora do FMI, Christine Lagarde, presente em Sydney, já se congratulou com o acordo, lembrando que apesar das melhorias alcançadas ao nível do crescimento da economia mundial nos últimos meses, “há uma grande volatilidade e fuga de capitais dos mercados emergentes”.

Lagarde defendeu que “é necessário implementar novas acções e uma maior cooperação internacional para promover uma recuperação global mais robusta”, que permita, entre outras, a criação sustentável de empregos.

O plano de acção aprovado no fim-de-semana replica um documento de trabalho do FMI, onde se estima que a concretização de um conjunto de reformas estruturais elevaria a produção económica mundial em cerca de 0,5%. O organismo reafirma ainda que os países com excedentes comerciais expressivos, como a Alemanha e a China, devem aumentar o consumo interno e diminuir a sua dependência das exportações.

O crescimento projectado, de 2% em cinco anos,  representa um aumento de produção no valor de 2,25 biliões de dólares (cerca de 1,6 milhões de milhões de euros), não tendo sido estabelecidas quotas para cada uma das economias que integram o G20.

O comunicado inclui uma recomendação para que as economias mais avançadas mantenham as políticas acomodatícias e de estímulos, uma mensagem dirigida especialmente aos Estados Unidos, zona euro e Japão.

A manutenção destas medidas é fundamental para que os países reduzam o seu endividamento e tomem as medidas necessárias para garantir a competitividade das suas economias. "A economia global continua longe de alcançar um crescimento forte, sustentável e equilibrado", refere o texto oficial.

Nas reunião de presidentes dos bancos centrais, Janet Yellen, presidente da Reserva Federal norte-americana, reconheceu que o abrandamento do programa de estímulos terá de ser feito com cautela, para evitar impactos negativos no crescimento da economia americana e mundial.

O comunicado refere que "todos os bancos centrais mantêm o compromisso de que a política monetária irá continuar a ser cuidadosamente calibrada e claramente comunicada".

O G20 manifestou preocupação com a desaceleração das economias emergentes, deixando uma apelo para que controlem a inflação e acelerem políticas estruturais,  designadamente ao nível do mercado de trabalho. E deixou uma palavra, neste caso de desagrado, pelo facto de economias emergentes como o Brasil, Índia, China e Rússia, não terem conseguido reforçar o seu poder de influência dentro do FMI, como foi aprovado em 2010.