EDP vai distribuir 60 cães de gado nos próximos três anos no Baixo Sabor

A iniciativa prevê diversas acções para garantir, entre outras, a redução do potencial de conflito entre o lobo e os pastores

Deverão existir apenas entre 200 e 400 lobos-ibéricos em Portugal
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Deverão existir apenas entre 200 e 400 lobos-ibéricos em Portugal Pedro Cunha

A EDP e Grupo o Lobo vão distribuir nos próximos três anos 60 cães de gado a pastores, no âmbito do Programa de Protecção e Valorização do Lobo Ibérico, uma espécie ameaçada de extinção.

Esta medida está inserida nas compensações dos impactos ambientais resultantes da construção da barragem do Baixo Sabor, no concelho de Torre de Moncorvo, que se encontra na recta final.

A iniciativa prevê diversas acções para garantir a abundância de presas naturais, a redução da perturbação humana e ainda a redução "do potencial de conflito" entre o lobo e os pastores, devido aos ataques a que os rebanhos estão sujeitos.

"Após a entrega dos animais aos pastores, há um período em que o Grupo o Lobo dá apoio no acompanhamento dos mesmos, fazendo a vacinação, acompanhando o desenvolvimento dos animais e verificando se os cães são eficazes na protecção dos rebanhos", disse hoje à Lusa Teresa Rocha, represente da EDP.

"Equipados" com este fiel companheiro, bem tradicional, de alarme e defesa, os pastores da região terão menos necessidade de afugentar lobos do seu habitat natural, salvaguardando uma espécie que é protegida por lei.

Alípio Janeiro é um pastor de aldeia de Fornos (Freixo de Espada à Cinta) a quem foi entregue há sete meses uma cadela de gado transmontana, animal que ainda se encontra em fase de "aprendizagem" nas lides dos pastoreio e guarda do rebanho e que começa agora a desempenhar a sua missão.

No entanto, a "Diana", assim é o nome do animal, não deixa os créditos por mãos alheias e parece estar a adaptar-se à sua função de proteger um rebanho de ovelhas de possíveis investidas de lobos.

"Vamos ver o que aprende. Espero que seja boa para guardar o gado. Às coisas estranhas já dá sinal. Quanto ao resto, não têm aparecido lobos pela aldeia apesar de terem rondado as imediações", acrescentou o pastor.

Além de cães, caberá ainda à EDP e aos seus parceiros locais a criação de pastagens para presas, definição de zonas de refúgio, de exclusão de caça, pontos de água, entre outras soluções para garantir que o mítico lobo das serranias transmontanas não desaparecerá.

Por seu lado, Ana Guerra, do Grupo o Lobo, refere que a ideia da inclusão de cães pastores nas medidas de protecção ambiental do Baixo Sabor tem por objectivo reduzir "o conflito que existe entre os lobos e os pastores".

Neste projecto, foram adaptados cães de gado transmontanos, que apesar do seu feitio dócil, são "exímios" guardadores de gado.

"Estes animais seleccionados pertencentes a uma raça autóctone, são dissuasores dos ataques de lobos, já que foram seleccionados para esse efeito. Quando são inseridos no rebanho passam a reconhecê-lo como sua família, sendo o seu instinto proteger o rebanho", concluiu a técnica.

Já foram entregues cinco cães, o ultimo dos quais na quinta-feira, na aldeia de Souto da Velha, Torre de Moncorvo.