Polícias garantem que não negociaram novas fardas e acusam MAI de “manobra política”

Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo disse esta quarta-feira que o aumento de 25 euros mensais proposto aos sindicatos é para novas fardas e não para compensar cortes salariais. Sindicatos e associações da PSP e GNR estão surpreendidas e avisam que revolta é agora maior com mais motivação para a manifestação de 6 Março em frente à Assembleia da República.

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Polícia não negociou novas fardas com o MAI, dizem os sindicatos da PSP Daniel Rocha (arquivo)

Os sindicatos da PSP e as associações profissionais da GNR admitiram esta quarta-feira a sua perplexidade perante as declarações do ministro da Administração Interna. Miguel Macedo disse, afinal, esta quarta-feira que as três reuniões que manteve com os sindicatos de polícia não tinham como objectivo encontrar alternativas aos cortes salariais. Aliás, justificou que o aumento de 25 euros mensais será para novas fardas. “Estou surpreendido. Tivemos três reuniões com a tutela que sempre nos convidou desde o inicio para discutir formas de minimizar os cortes salariais. Agora a mesma tutela vem dizer que não foi para isso? Nunca se falou de fardas novas sequer. Não foi para negociar isso. Alguém está a mentir e não são, certamente, todos os sindicatos. Isto é uma manobra política”, aponta o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), César Nogueira.

Os sindicatos da PSP e as associações profissionais da GNR admitiram esta quarta-feira a sua perplexidade perante as declarações do ministro da Administração Interna. Miguel Macedo disse, afinal, esta quarta-feira que as três reuniões que manteve com os sindicatos de polícia não tinham como objectivo encontrar alternativas aos cortes salariais. Aliás, justificou que o aumento de 25 euros mensais será para novas fardas. “Estou surpreendido. Tivemos três reuniões com a tutela que sempre nos convidou desde o inicio para discutir formas de minimizar os cortes salariais. Agora a mesma tutela vem dizer que não foi para isso? Nunca se falou de fardas novas sequer. Não foi para negociar isso. Alguém está a mentir e não são, certamente, todos os sindicatos. Isto é uma manobra política”, aponta o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), César Nogueira.

 O dirigente lembrou que os sindicatos foram convidados a apresentar propostas para minimizar os cortes e que foi isso mesmo que foi discutido. “Parece que estivemos em reuniões diferentes. A tutela numa e os sindicatos noutra. Isto demonstra a incoerência do ministro e o quanto não respeita os policias”, critica César.

 Por seu lado, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Policia (ASPP), Paulo Rodrigues, considera que o processo foi mal “conduzido tanto pelos sindicatos que aceitaram reunir nestas condições como pela tutela. Sempre tivemos a noção de que as reuniões eram para negociar formas de minimizar os cortes. Mas foi por isto que preferimos não participar nelas. A tutela criou expectativas que agora defraudou. E agora a revolta é ainda maior entre os polícias que se sentem enganados”, disse o também o secretário-nacional da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações Profissionais das Forças e Serviços de Segurança. 

 A CCP tem uma manifestação marcada para 6 de Março em frente à Assembleia da República. “A motivação é agora ainda maior. Isto agudizou a situação”, disse Paulo Rodrigues. Também o presidente do Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL), Armando Ferreira, não tem dúvidas de que “nunca nas reuniões se falou de novas fardas” e diz que Macedo está a ser “incoerente” e a “fazer política”. Aliás, o SINAPOL decidiu entretanto apoiar a manifestação de 6 de Março.

Armando Ferreira recorda que chegou a enviar propostas de minimização dos cortes salariais. Conforme o PÚBLICO avançou então, o MAI chegou mesmo a debater essas propostas e a apontar uma data – Abril – para o inicio do pagamento dos suplementos que viriam a compensar os cortes.

 O mesmo lembra o presidente da Associação Socio-profissional independente da Guarda (ASPIG), José Alho. “Ele pediu-nos propostas. Nós enviamos um oficio com as propostas e depois diz-nos que sempre foi para o fardamento novo? Para isso não eram necessárias três reuniões”, aponta. José Alho sublinha também que a ASPIG irá participar na manifestação se vier a ser convidada pela CCP.