Madeira arrastada pelo mau tempo para as praias de Gaia está a ser roubada para lareiras

A limpeza iniciada esta terça-feira não evita que de noite e de dia as pessoas levem madeira para usarem nas lareiras

Foto
Paulo Pimenta

Madeira proveniente dos passadiços destruídos pelo mau tempo nas praias de Gaia e chegada a terra pela corrente do mar tem sido roubada para ser usada como lenha para lareiras. Apesar de desde esta terça-feira ter começado a limpeza de 15 quilómetros da costa do concelho, ainda há entulho nas praias.

"À noite é ver o pessoal com lanternas a correr a praia à procura de lenha para as lareiras. Levam tudo o que o mar traz. Em tempo de crise, está-se mesmo a ver, vale tudo", descreveu à Lusa Hernâni de Jesus, morador na Rua de Salgueiros, junto à praia do Canidelo, concelho de Gaia.

Luísa Silva, habitual frequentadora do bar de praia Grão d'Areia, contou que "muito frequentemente nos últimos tempos" está na esplanada do café e vê "pessoas à cata de madeiras que foram ficando depois da destruição do passadiço". Quem corre ou caminha na marginal, já por volta das 18h ou 19h também faz relatos idênticos, acrescentando ter visto mesmo pessoas com motosserras e carrinhos de mão na praia.

Estas situações já foram participadas pela Polícia de Segurança Pública (PSP) à empresa Águas de Gaia e esta comunicou à câmara deste concelho que confirmou terem sido reportadas "várias ocorrências". A limpeza da costa está a ser feita pelo Regimento de Artilharia da Serra do Pilar e pela empresa Águas de Gaia.

Os roubos ocorridos foram principalmente em S. Félix da Marinha e em Valadares. Em S. Félix da Marinha, contou à Lusa o responsável da empresa Águas de Gaia, Silva Martins, as pessoas que estavam a retirar madeiras da praia foram "identificadas pela PSP e o material apreendido".

Já o caso de Valadares foi "um bocadinho mais insólito". "Quando começámos a carregar madeiras para evitar mais roubos, depositámos o material junto à marginal para ser levado e foi aí que, sem tempo de reacção para os nossos trabalhadores, as pessoas começaram a levar o material porque ele é bom, é resistente e bem tratado", descreveu Silva Martins.

Estas situações são "particularmente preocupantes", acrescentaram os responsáveis da Águas de Gaia, porque além de madeira dos passadiços estão a ser transportados para casas particulares "toros que chegam a terra vindos na corrente do mar", sendo que esses podem conter substâncias "perigosas para a saúde". "A combustão da madeira com o sal resulta em matérias que eventualmente até são cancerígenas. A população deve ser alertada para isso", concluíram.

Por seu lado, o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, disse à Lusa: "A presença de militares aqui também ajuda a marcar posição. A limpeza das madeiras vai depender do clima, mas espera-se que fique concluída o mais rápido possível”. O presidente adiantou que as obras de reorganização da costa do concelho custarão "entre dois milhões e dois milhões e meio de euros". De acordo com o autarca, 85% desta verba será paga pela Agência Portuguesa do Ambiente e 15% pela Câmara Municipal de Gaia.