Portas diz que "exportações são o porta-aviões da recuperação do país"

No Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas, o vice-primeiro-ministro sublinhou que as exportações são "o porta-aviões da recuperação" do país.

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Petiscou queijo, comprou um frasco de piri-piri, provou presunto de porco bísaro, deliciou-se com pastéis de bacalhau, recebeu um chapeuzinho de chocolate, fez pausa para cafés e aceitou beber alguns goles de vinho. “Tenho de me manter sóbrio”, disse Paulo Portas, sorrindo, quando provava um Porto, o pretexto para recordar o valor das exportações desta bebida: 795 milhões de euros.

Os números das exportações estiveram muitas vezes na boca do vice-primeiro-ministro quando esta terça-feira cumprimentava os empresários portugueses representados no Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas, a decorrer em Lisboa. No final de hora e meia de visita em passo acelerado e em ziguezague pelos corredores, Portas só falou aos jornalistas de exportações do sector agro-alimentar. São “o porta-aviões da recuperação do nosso país”, disse. Escusou-se a falar de outro tema.

Paulo Portas salientou o esforço do Governo – ele próprio, Ministério dos Negócios Estrangeiros e Ministério da Agricultura  - para remover barreiras de exportação dos produtos portugueses. “Focámo-nos em 50 países em que havia barreiras fiscais e conseguimos 112 novas certificações de produtos para poder exportar”, referiu no final de hora e meia de visita.

Mas ainda assim ouviu queixas de empresários. Um deles, do sector dos produtos do mar, recordou-lhe que Portugal “é o único país da Europa que paga IVA para desalfandegar”. “Envie um e-mail a explicar isso para aqui”, respondeu-lhe Portas, entregando um cartão de visita. Mais à frente outra queixa. “Em Moçambique é mais fácil importar via África do Sul do que directamente de Portugal”, lamentou-se um empresário ligado aos vinhos. Recebeu a mesma resposta.

Já noutro stand, de uma fábrica de chocolate, o tom era outro: “Obrigada por nos ter ajudado”, disse uma das promotoras, numa referência à autorização para promover um jogo da sorte, feito de cartão. “Era quase preciso um papelinho cada vez que se queria jogar. A isso chama-se burocracia”, comentou Portas, enquanto fazia um furo com uma caneta. “Acertou no amarelo, leva a sombrinha”.

Por duas vezes, em stands de empresas que comercializam peixes e maricos, Portas deteve-se para sublinhar: “Dentro das exportações do agro-alimentar, um dos segmentos mais fortes são os produtos do mar. Isto pouca gente sabe”. E para sublinhar essa mensagem, o vice-primeiro-ministro deixou de lado os temas da actualidade.

“Quero assinalar o contributo do sector agro-alimentar e florestal que muitos não conhecem e que é de 20% do total das exportações portuguesas”, afirmou aos jornalistas, à saída da feira. Em 2013, as exportações deste sector subiram mais de 7%. E enumerou: “Carne de suíno: 250 milhões de euros por ano, frutas: mais de 300 milhões, azeite: mais de 350 milhões de euros, vinho: 725 milhões de euros, produtos derivados do mar: 805 milhões de euros por ano”. Números que Paulo Portas não se cansa de debitar, assim como repetiu inúmeras vezes o que diz a todo o comerciante quando está em campanha eleitoral: “Bons Negócios”. 

Substituído o título anterior às 21h15: Portas tenta manter-se "sóbrio" com os números inebriantes das exportações