Deputado do PSD-Madeira defende "projecto de salvação nacional" que não sirva "apenas para salvar o Governo"

Social-democrata Francisco Gomes acusa Passos Coelho e Paulo Portas de, "julgando-se predestinados", se mostrarem "cava vez mais convencidos que nasceram para redimir os portugueses", mas que a austeridade vai durar "mais 15 ou 20 anos".

Francisco Gomes, deputado social-democrata madeirense, afirmou esta terça-feira ser necessário uma mudança de pessoas, da forma como se faz política e um projecto de salvação nacional que não seja apenas para "salvar o Governo e o primeiro-ministro". O social-democrata acredita que o país vai continuar com medidas de austeridade por mais 15 ou 20 anos.

"Temos de mudar de gente e temos de mudar como se faz política em Portugal", disse o parlamentar madeirense numa intervenção política no plenário da Assembleia Legislativa da Região.

"Precisamos de gente séria, capaz de mobilizar as pessoas para um verdadeiro projecto de salvação nacional, que não pode ser confundido com um projecto para salvar um governo ou um primeiro-ministro. O primeiro merece tudo e o segundo não merece nada", sublinhou.

O deputado social-democrata insular sustentou que "o discurso positivo do Governo da República não espelha o drama terrível que aconteceu nestes últimos anos que representaram um retrocesso de 25 anos com consequências dramáticas".

"Não basta dizer que cumprimos ou estamos em vias de cumprir o que nos foi imposto por vontade e desígnio estrangeiro", sublinhou Francisco Gomes, considerando que "agora que se aproxima a saída da troika anda a República feliz e inebriada".

O deputado disse que "julgando-se predestinados, Passos Coelho e Paulo Portas mostram-se cada vez mais convencidos de que nasceram para redimir os portugueses".

O parlamentar madeirense acrescentou que "interessa pensar o pós troika, que é muito mais do que pensar como se vai Portugal financiar depois de Maio, no que vai ficar depois desta fase de ajustamento, que continuará, com a perpetuação da austeridade durante mais 15 ou 20 anos".

Na sua opinião, "vai ser um país mais pobre, de descontentamento generalizado", defendendo ser necessário "reconstruir pontes entre os cidadãos e o Estado, para recuperar a confiança das pessoas na República". Francisco Gomes apontou ainda que os madeirenses "têm de lutar por uma maior autonomia" e vincou que "mais do que uma simples reforma de Estado, Portugal precisa de um novo contrato de sociedade".

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