Pais das vítimas do Meco apresentam queixa-crime contra Lusófona e sobrevivente

Advogado diz que as famílias entendem que há “matéria criminal” e que universidade devia “controlar” conselho de praxes.

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Documentos indicam que seriam esperadas mais pessoas no Meco Miguel Manso

O advogado das famílias, Vítor Parente Ribeiro, disse ao PÚBLICO que esta decisão tomada nesta sexta-feira baseou-se não só no facto de não ter ainda chegado resposta sobre o pedido para os pais se tornarem assistentes no processo, mas também porque os familiares recolheram uma “série de elementos” que entendem ser “matéria criminal”.

Entre estes elementos estão, segundo o advogado, alguns revelados pela TVI e que dão conta da existência de documentos escritos por uma das vítimas que revelam que dez pessoas, e não sete, seriam esperadas no fim-de-semana do Meco. De acordo com esses documentos, algumas dessas pessoas já teriam mesmo pago despesas relativas ao fim-de-semana. A mesma jovem terá deixado escritas referências a um fim-de-semana na serra da Arrábida, no qual apenas duas das vítimas do Meco terão participado, e para o qual estariam a ser planeadas praxes como rastejar, andar pela serra, pelo cemitério e comer comida de gato, além da alusão a álcool.

O advogado garante que, além destes documentos, existem “outros do mesmo teor” e sobre o mesmo “tipo de práticas”. Estes dados fazem os pais das vítimas acreditarem que o que se passou não foi um acidente, mas “uma praxe que correu mal” e que aconteceu durante esse fim-de-semana que juntou elementos do Conselho Oficial da Praxe Académica (COPA).

Para além de João Gouveia, a queixa-crime dirige-se também à Universidade Lusófona. Segundo Vítor Parente Ribeiro, os familiares entendem que é a “entidade a quem compete controlar estes organismos [COPA]”, que existem no seio “da própria universidade” e que “tem conhecimento da sua existência”.

A Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal já realizou a reconstituição do cenário de tragédia. A diligência, de acordo com o que fonte da PJ confirmou ao PÚBLICO, foi feita na madrugada desta sexta-feira.

Os investigadores estiveram no areal e na casa que os jovens tinham arrendado em Aiana de Cima. A reconstituição terá sido feita com base em informações prestadas pelo sobrevivente, que já foi ouvido pela polícia enquanto testemunha. A PJ realizou diligências durante duas horas na praia para tentar perceber as circunstâncias em que morreram os dois rapazes e quatro raparigas. Gouveia continua a rejeitar que as mortes estão relacionadas com ritual de praxe, assegurando que tudo não passou de um acidente.

Nesta sexta-feira, foi celebrada uma missa em memória dos jovens que morreram, acto que foi marcado pela Lusófona. A maioria dos familiares não compareceu. com Lusa