CP perdeu 27 milhões de passageiros em quatro anos

Serviço regional foi o que mais subiu nos últimos meses do ano.

A CP utiliza nesta ligação o mesmo material circulante que utiliza no resto do serviço da Linha do Minho
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CP não divulgou resultados líquidos de 2013 NELSON GARRIDO

Em 2013 a CP transportou 107 milhões de passageiros, o que representa uma quebra de 20% em relação a 2010, ano em que transportou 134 milhões.

Em 2011, a empresa transportou 126 milhões de clientes nos seus comboios, um valor que desceu para 112 milhões em 2012. Ainda assim, em comunicado divulgado nesta sexta-feira, a CP destaca que a perda de passageiros de 2012 para 2013 foi de apenas 4%, invertendo-se a situação de quebra mais acentuada nos últimos anos.

A empresa diz mesmo que essa inversão da tendência teve impacto a partir de Setembro do ano passado, com um crescimento de 2,3% em todos os serviços, o que permite antever a continuação dessa tendência positiva para 2014.

O serviço regional foi o que mais subiu nos últimos meses do ano (6,1%), seguindo-se os suburbanos do Porto (5,9%), o longo curso (4,3%) e os suburbanos de Lisboa (0,8%).

Os resultados operacionais da CP mantêm uma evolução positiva, apesar de continuarem no vermelho. Em 2012 a diferença entre as receitas e as despesas correntes foram de 20 milhões negativos. Em 2012 esses prejuízos tinham sido de 27 milhões de euros, em 2011 de 46 e em 2010 de 74.

A empresa destaca, porém, que em 2013 manteve um EBITDA positivo de 23 milhões de euros, embora este tenha tido uma redução de 12 milhões de euros face ao ano anterior que, explica, “decorre da necessidade de reposição de subsídios de férias e de Natal aos trabalhadores da empresa”. Ou seja, os melhores resultados em 2012 tinham sido obtidos à custa da redução da massa salarial.

A CP não divulgou os resultados líquidos do exercício de 2013 que costumam ser da ordem das centenas de milhões de euros, uma vez que a transportadora ferroviária está esmagada pelo peso da dívida, cujos encargos têm vindo a aproximar-se dos 200 milhões de euros por ano. Em 2012 os seus resultados líquidos foram negativos em 224 milhões de euros.

A empresa refere em comunicado que em 2014 estabeleceu como objectivo “um crescimento efectivo do volume de passageiros transportados, para o qual será imprescindível a manutenção do clima de paz social da empresa, bem como a continuidade da implementação de iniciativas comerciais e capazes de dar resposta às necessidades das populações”.

Em 2012, a CP deixou de operar nas linhas do Corgo, do Tâmega e entre Pampilhosa e Figueira da Foz, onde já só prestava serviço rodoviário de passageiros porque a infra-estrutura estava encerrada (provisoriamente) pela Refer. Foi também encerrado o troço entre Beja e Funcheira na linha do Alentejo.

Em contrapartida foi reforçado o serviço de passageiros entre Caldas da Rainha e Coimbra e criado um novo serviço Intercidades diário entre Lisboa e Braga.