Os Linda Martini e a neura geracional

Uma das várias consequências para o videoclipe, no atual ecossistema comunicativo da internet, é o menor interesse dos seus espectadores por um caráter meramente ilustrativo da música. No caso do recurso às visualidades gráficas ou digitais, próximas do VJing, ou de alguma animação tendencialmente abstrata, a exceção apenas se aplicará no caso de um elevado grau de novidade ou deslumbre dos efeitos visuais, ou então, na capacidade de conseguirem operar uma transfiguração da realidade. E melhor ainda, se os mesmos não forem gratuitos, mas com um significado evidente. Em “Febril”, terceiro videoclipe do álbum “Turbo Lento”, o exercício visual (uma experiência, em parceria, do guitarrista da banda) presta-se à efervescência da música, mas transmite uma força significativa à letra e ao espírito do tema: a indignação com o atual “inverno” social e um desejo a “ferver” por escape. Ou seja, apesar de estes efeitos não serem novos nem surpreendentes, conseguem, juntamente com a edição e a cor, espelhar em imagens a neura geracional que os Linda Martini expressam na sua música, e sobretudo na lírica deste álbum.

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