Caldas Rugby & Groundlink, sociedade de sucesso Lda

Parceria entre a empresa do ramo aeronáutico e o clube da região do Oeste está a ser bem-sucedida, mas os seus responsáveis continuam com “os pés bem assentes na terra”

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António Simões dos Santos

O projecto é inovador e totalmente diferente do que já foi feito em Portugal na modalidade. Há cerca de dois anos, Francisco Bernardino, CEO da Groundlink, empresa de serviços para o sector aeronáutico, optou por canalizar parte dos lucros da sua sociedade para uma das suas paixões: o râguebi.

A ideia seria, com toda a certeza, bem acolhida por grande parte dos clubes da cidade de Lisboa, onde o râguebi português continua a ter o seu expoente máximo, mas Francisco Bernardino juntou o útil ao agradável. Natural do Bombarral, o empresário apostou na principal equipa da sua região e, dessa forma, a Groundlink aliou-se ao Caldas Rugby, um clube que tinha uma estrutura pequena e que, a curto prazo, dificilmente poderia ambicionar grandes voos no râguebi português.

E o casamento foi perfeito. Tal como o Caldas Rugby, a Groundlink era um projecto recente – cumpre nesta sexta-feira seis anos de existência -, mas ambicioso. Em plena expansão, a empresa, que opera nas áreas de recrutamento, formação e handling, tem vindo a afirma-se no sector aeronáutico, já conta com uma equipa de mais de 200 colaboradores e, meia dúzia de anos depois, expandiu o seu negócio para Espanha, Lituânia, Letónia, Estónia, Bélgica e Reino Unido.

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Era necessário, no entanto, transportar o “know-how” da Groundlink para uma realidade totalmente diferente. Para isso, apostaram na contratação de jogadores consagrados. Um deles foi Nuno Taful, internacional português que foi campeão nacional pelo Direito.

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Com o curso de gestão de marketing, Taful aceitou o desafio de criar as bases do projecto Groundlink Caldas Rugby e hoje assume a dupla função de coordenador e jogador. E a aposta foi ganha: “As coisas estão a correr melhor do que estávamos à espera”, refere.

Taful é um dos 10 jogadores do plantel da equipa que trabalha no escritório da Groundlink, em Lisboa, e afirma que encontrou “um conjunto de situações únicas”. “Na empresa temos liberdade para escolher um horário. Entramos mais cedo no escritório e temos duas horas de almoço, que nos permite ir ao ginásio. Sentimo-nos bem e úteis e cada vez mais motivados. Mas não somos profissionais de râguebi. Há um trabalho muito exigente na empresa”.

Antes do início da parceria entre a Groundlink e o Caldas Rugby, “muitos atletas formados no clube acabavam por ir para fora estudar e depois não tinham capacidade financeira e psicológica para treinar”. Para contornar esse obstáculo, foram adquiridas “duas carrinhas de nove lugares, que fazem o transporte dos atletas entre Lisboa e as Caldas”, duas vez por semana. Para além dos 10 jogadores que trabalham nos escritórios da empresa, há mais sete atletas do plantel da equipa que são de Lisboa.

Apesar de a entrada de 10 novos jogadores esta época ter criado “algumas dificuldades”, que “estão a ser abolidas”, o “2” do Caldas Rugby refere que o reforço do clube com atletas mais experientes “motivou os mais jovens”: “Era uma equipa que precisava de mudar a sua cultura desportiva e de ter este ‘upgrade’.”

Atacar o título sem entrar em loucuras

E o resultados já começam a aparecer. Na liderança da I Divisão, apesar de o RC Lousã ter um jogo em atraso, os “pelicanos” têm mostrado dentro do campo que o objectivo assumido – subida à Divisão de Honra em três anos -, pode surgir mais cedo do que estava planeado.

“Corremos o risco de subir e não vamos dizer a ninguém para não ganhar, mas não vamos reformular o nosso plano. Se subirmos, o que não estava previsto, vamos manter o nosso caminho e não vamos entrar em loucuras”, garante Taful.

Ainda no “ano zero” e a “aprender”, a Groundlink preocupou-se, nesta fase inicial, em dotar o Caldas Rugby das condições “mínimas para a pratica da modalidade”, o que “nos clubes de topo já é uma realidade” e o projecto é para continuar.

“Muitos poderão pensar que isto é só um projecto de um ano e que se correr mal vai tudo embora, mas temos os pés bem assentes na terra. Sabemos que é algo totalmente diferente do que já foi feito em Portugal”, explica Taful, que sabe que o Groundlink Caldas Rugby tem “um longo caminho para percorrer”.

E esse caminho passa por colocar o clube no topo do râguebi português e de acabar com o domínio das equipas de Lisboa. “Temos a noção da realidade, mas se não ambicionarmos voos mais altos acabamos por não puxar para que seja possível. Há uma estratégia para lá chegar e, para já, as coisas estão a correr melhor do que estávamos à espera. Tínhamos apontado até três anos à subida e, depois de quatro ou cinco épocas na Divisão de Honra, atacar o título. Pode não parecer, mas é um objectivo de curto prazo”, conclui Nuno Taful.