A Frente Nacional tem o apoio de 34% dos franceses mas pode ter parado de crescer

A maioria dos simpatizantes do partido de Marine de Le Pen acha que a FN não tem vocação para governar.

Marine Le Pen conseguiu aumentar a audiência do partido em mais de 10%
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Marine Le Pen conseguiu aumentar a audiência do partido em mais de 10% BERTRAND LANGLOIS/AFP

O partido de extrema-direita e xenófobo francês Frente Nacional é visto cada vez menos como uma ameaça e, em vez disso, como uma alternativa viável para o voto: 34% dos eleitores franceses aderem às suas ideias, segundo uma nova sondagem TNS Sofres divulgada esta quarta-feira pelo diário Le Monde, pela rádio France Info e pela televisão Canal Plus.

Estes 34% de aderentes às ideias veiculadas pela Frente Nacional (FN) representam uma subida de 2% em relação a 2013, e desde que Marine Le Pen assumiu a presidência, no início de 2011, a audiência do partido não parou de aumentar: era então de 22%, e de 31% em 2012.

Mas o facto de o crescimento da adesão às ideias da FN ter abrandado poderá mostrar que o crescimento da FN chegou a uma espécie de plateau, diz o Le Monde. Se Marine Le Pen não conseguir a presidência da república – o cargo com que sonha – ou outros membros do partido conseguirem implantar-se em cargos de relevo nacional, o partido pode não conseguir crescer mais.

Além disso, 54% dos seus apoiantes consideram que a Frente Nacional não é um partido com grande vocação para governar – só 35% o acha – encaram-no antes de mais como uma força política eficaz para reunir os votos de protesto.

Por tudo isto, a FN está a tentar criar raízes a nível local, nas eleições municipais de Março. Em 77 cidades, tem boas hipóteses de o fazer.

Os pontos de adesão dos eleitores franceses em relação à FN são, sobretudo, a “defesa dos valores tradicionais” (citada por 71% dos simpatizantes do partido), a sensação de que “a justiça não é suficientemente severa com os delinquentes” (68%) e que “é preciso dar mais poderes à polícia” (58%), que “há muitos imigrantes em França” (55%) e que se “dá muitos direitos ao islão em França” (53%).

O que divide os apoiantes da FN é a polémica sobre o casamento gay e, mais recentemente, sobre a possibilidade de os casais homossexuais poderem adoptar crianças  – como aliás se tem revelado na recusa da direcção da FN em associar-se às manifestações contra a legislação do “casamento para todos”, enquanto outros membros do partido têm participado. Segundo a sondagem TNS Sofres, 49% dos simpatizantes do partido de extrema-direita dizem que os homossexuais devem ter o direito a adoptar crianças.

Mas se a evolução da FN sob a direcção de Marine Le Pen tem sido a da respeitabilidade política – hoje, 43% dos franceses recusa-se a considerar a Frente Nacional um perigo para a democracia – isso não quer dizer que todas as suas ideias de governação tenham grande aceitação. A saída do euro defendida por Marine Le Pen é apoiada por 29% dos seus simpatizantes.