Primeiro-ministro contrata telefonistas em regime externo desde 2003

A contratação de telefonistas em regime de outsourcing em S. Bento vem do tempo de Durão Barroso.

Miguel Manso
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Miguel Manso

O serviço de atendimento telefónico em São Bento é, em parte, feito, em regime de outsourcing pelo menos desde 2003 e o actual Governo reduziu o valor da despesa de 36 mil euros para 12,5 mil euros por ano, esclareceu esta segunda-feira fonte do gabinete do primeiro-ministro, na sequência de uma notícia do jornal i.

O gabinete do primeiro-ministro contratou, no passado dia 5 de Fevereiro, em regime de outsourcing (empresa externa), um serviço de atendimento telefónico, gestão, registo e encaminhamento de chamadas por 12.567 euros, num contrato de um ano (renovável por mais um ano). O total de dois anos é 25.135 euros. O valor corresponde a 1047 euros mensais (mais IVA) que é pago a uma telefonista.

Tratou-se de um ajuste directo à empresa We Promote, gerida por Catarina Flores, detida totalmente pela Sociedade Silvas e Primos, controlada pela Finanter Incorporation, uma sociedade anónima com sede no Luxemburgo.

A escolha deste regime foi considerada a mais vantajosa do ponto de vista financeiro, segundo afirmou ao PÚBLICO fonte do gabinete do primeiro-ministro, que desconhece as razões que levaram a manter uma contratação externa e a não recorrer a funcionários em mobilidade especial.

No portal dos contratos públicos online, a fundamentação para este ajuste directo remete para o artigo da lei que permite este tipo de contratação em serviços com valores inferiores a 75 mil euros.

A funcionária contratada através da empresa We Promote trabalha directamente para o gabinete do primeiro-ministro (que tem mais telefonistas e administrativos) e para os serviços de informática e jurídicos de São Bento.

Segundo o portal dos contratos públicos online, o mesmo tipo de contrato com a We Promote foi celebrado em Fevereiro de 2013 (com mesmo valor) e em Outubro de 2012 por 10.718 euros, através da secretaria-geral da Presidência do Conselho de Ministros.

Segundo fonte do gabinete de Passos Coelho, este serviço de outsourcing é contratado desde 2003, altura em que o Governo era liderado por Durão Barroso, (embora desconheça se foi desde sempre com esta empresa) e ascendia a 36 mil euros em 2011 (no anterior Governo de José Sócrates), verba que pagava mais telefonistas. Em 2010, segundo a mesma fonte, a despesa com o mesmo serviço era de 51. 671 euros anuais.