Prémio EDP Novos Artistas para Ana Santos

Artista nascida em Espinho foi distinguida esta segunda-feira na 10.ª edição do prémio, que tem o valor de 11.500 euros.

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Ana Santos Fernando Veludo/NFactos
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O júri realçou "a coerência do seu trabalho, o uso instintivo do espaço, a utilização de materiais que criam uma relação visual e física com o observador". Ainda segundo a acta dos jurados, o trabalho de Ana Santos "combina uma aparente fragilidade com um apurado sentido poético e uma clareza de intenção".

Ana Santos – que integra o grupo 12 Contemporâneos - Estados presentes, exposição a inaugurar no dia 14 de Fevereiro no Museu de Serralves – manifestou-se "surpreendida" com a decisão do júri. Agradeceu, e disse que o prémio vai ajudá-la a prosseguir o seu trabalho "em melhores condições".

A artista destacou, de resto, a importância da iniciativa da EDP principalmente num país em que praticamente “não há instituições a apostar nos jovens artistas” e em que “tanto os prémios como as bolsas escasseiam”.

Os 11.500 euros do prémio – nota o comunicado do júri – deverão ser utilizados "para o aprofundamento dos estudos ou para a concretização de um projecto artístico” do artista vencedor.

Ana Santos não decidiu ainda em que projecto irá investir aquela soma. “Vou pensar um bocado, mas será certamente para continuar a trabalhar”. E, dos projectos imediatos, referiu apenas a participação na exposição colectiva, já esta semana, no Museu de Serralves, que, com curadoria de Suzanne Cotter e Bruno Marchand, retrata a criação artística em Portugal na última década.

Sobre o trabalho apresentado ao concurso da EDP, a artista explicou aos jornalistas que ele foi pensado, no seu conjunto, para o espaço específico da galeria da fundação. “São obras inéditas”, mas que Ana Santos admite poderem vir a ser adaptadas, e desenvolvidas, para outros espaços.

Nascida em Espinho, Ana Santos estudou Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, mas fez o mestrado em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias na Universidade Nova de Lisboa. É nesta cidade que actualmente vive e tem desenvolvido o seu trabalho – com uma interrupção, em 2010-11, para fazer, com uma bolsa da Gulbenkian, uma residência artística no International Studium & Curatorial Program, em Nova Iorque.

Para além de José Manuel dos Santos, integraram o júri do X Prémio Novos Artistas Fundação EDP Jorge Molder (Grande Prémio Fundação EDP Arte 2010), Suzanne Cotter (directora do Museu de Arte Contemporânea de Serralves), Helen Legg (directora do Spike Island, centro internacional de arte em Bristol, no Reino Unido) e Philippe Van Cauteren (director artístico do SMAK, museu de arte contemporânea de Ghent, na Bélgica).

Os jurados avaliaram trabalhos de nove finalistas – João Ferro Martins, João Mouro, Luís Lázaro Matos, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Musa Paradisíaca (Eduardo Guerra + Miguel Ferrão), Pedro Henriques, Sandro Miguel Ferreira e Tiago Baptista, além de Ana Santos –, que, em Dezembro último, tinham sido seleccionados por um outro júri, a partir de 567 candidaturas.

“É impressionante não só a quantidade, como a qualidade dos trabalhos apresentados”, comentou José Manuel dos Santos, acrescentando que a decisão final foi “difícil e tomada após intenso debate”.

A exposição com os trabalhos seleccionados para a fase final do prémio mantém-se na Galeria da Fundação EDP, no Porto, até 23 de Março.