Daniel Bessa critica peso do CDS na Câmara do Porto

CDS reage às críticas, afirmando que"há Daniel Bessa a menos na Câmara do Porto e Daniel Bessa a mais no Governo"

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Daniel Bessa abandonou autarquia do Porto PÚBLICO

O ex-presidente da Assembleia Municipal do Porto Daniel Bessa afastou qualquer influência do presidente da autarquia, Rui Moreira, na sua demissão e considerou que “há CDS a mais” num movimento que nasceu como independente.

Em declarações no programa da Rádio Renascença "Conversas Cruzadas", que é transmitido no domingo depois do meio-dia, Daniel Bessa afastou qualquer associação entre as críticas do presidente da autarquia, Rui Moreira, à gestão dos fundos comunitários e a sua demissão, após três meses de ter tomado posse. Esta associação foi feita por o ex-ministro socialista integrar um grupo de personalidades que aconselha o Governo a definir as prioridades dos fundos estruturais.

Surpreendido com as declarações do ex-ministro da Economia, Pedro Moutinho, líder da concelhia do CDS-Porto, discorda que haja CDS a mais na Câmara do Porto. e devolve as críticas.“O que houve foi Daniel Bessa a menos na Câmara do Porto e Daniel Bessa a mais no Governo [de Pedro Passos Coelho]”, afirma.

Pedro Moutinho mostra-se preocupado com o facto de Daniel Bessa afirmar que desconhece o que o presidente da Câmara do Porto tem vindo a dizer sobre a questão dos fundos estruturais e critica-o por isso. à Renascença, o ex-ministro garantiu que ignora o que o presidente da Câmara do Porto disse sobre o assunto: “Sabe que não sei o que o dr. Rui Moreira disse sobre a questão dos fundos estruturais? Peço imensa desculpa, mas não sei. Não sei.”

“Estamos num momento em que a Câmara do Porto está a discutir com o Governo a aplicação dos fundos estruturais e, neste momento de negociação, o que eu vejo é que há Daniel Bessa a menos na Câmara do Porto, e Daniel Bessa a mais no Governo e isso preocupa-me”, declarou o líder da concelhia do Porto do CDS.

Em declarações ao PÚBLICO, Pedro Moutinho disse:“Acho estranho que diga que não sabia o que é que o presidente da Câmara do Porto pensa sobre o assunto quando ainda com ele a presidente da assembleia municipal foi aprovada no executivo camarário uma moção apresentada por Rui Moreira”.

Sobre as razões que levaram o ex-ministro da Economia a bater com a porta,o dirigente centrista desconhece-as e afirma não compreender por que é que o fez.

A propósito da eventual responsabilidade do CDS na sua demissão, Bessa adiantou que “convive muito mal com situações em que, por exemplo, alguém queira o [seu] lugar e faça o possível e o impossível e o que é aceitável e não é aceitável para desgastar o artista que está a ocupar a função porque parece querê-la”.

Perante a pressão, confessou que a sua primeira reação foi dizer “olhe sirva-se! À vontade! Não há problema nenhum!”

Face à insistência do entrevistador quanto à identidade do destinatário das suas críticas, Bessa atalhou: “Eu vou dizer que não me sentia bem e que achei melhor sair de cena”.

“Se olhar para a Mesa da Assembleia Municipal, se olhar para a direção do grupo de deputados municipais, encontra uma expressão que é exagerada – acho eu – do CDS naquele grupo”, acrescentou. E reforçou: “Acho que há uma desproporção manifesta entre o peso que o CDS tem na mesa da Assembleia e que tem na direcção do grupo. Parece-me um exagero para um movimento que nasceu como independente. Pode ser pouco mais que aparência e pode não valer mais que isto”.

Depois da demissão de Daniel Bessa, o cargo de presidente da Assembleia Municipal foi preenchido por Miguel Pereira Leite, um independente da área do CDS.

 

 

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