Feira do Livro regressa ao Porto e vai para a Rotunda da Boavista

A Feira do Livro do Porto deixa a Avenida dos Aliados, onde esteve instalada entre 2009 e 2012. No ano passado, pela primeira vez na sua história, a feira não se realizou.

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Nélson Garrido

A Câmara do Porto e a Associação Portuguesa de Escritores e Livreiros (APEL) estão a ultimar as conversações sobre os moldes em que a Feira do Livro irá regressar ao Porto já este ano. Apesar de todos os pormenores não estarem ainda fechados, já está decidido que a feira não se irá instalar, de novo, na Avenida dos Aliados. Este ano, a feira regressa à Rotunda da Boavista.

“Vai haver Feira do Livro”, confirmou, ontem, ao PÚBLICO, o vereador da Cultura da Câmara do Porto, Paulo Cunha e Silva, depois de, a meio da semana, fonte da APEL ter já garantido que as conversações entre as duas entidades estavam “bem encaminhadas”.

Para já, nem a autarquia nem a APEL confirmam a data em que a feira irá marcar o seu regresso à cidade, depois de, pela primeira vez na sua história que remonta a 1930, não ter acontecido, em 2013. Mas, Paulo Cunha e Silva admite que esta possa ocorrer “em Julho”, depois da edição de Lisboa, como é costume. Por enquanto, a APEL também não anunciou qual será a data da Feira do Livro de Lisboa, mas é previsível que o certame ocorra entre Maio e Junho, à semelhança do ano passado.

No Porto, a grande novidade deverá ser a nova localização de feira, que depois de um ano de interrupção e de quatro anos consecutivos na Avenida dos Aliados – uma localização cara ao anterior presidente da câmara, Rui Rio – deverá agora regressar à Rotunda da Boavista, local onde já esteve instalada durante décadas.

Esta era uma das hipóteses em cima da mesa, a par com o Pavilhão Rosa Mota, que também já foi uma das casas da feira no Porto. Contudo, a rotunda foi a opção preferida pela APEL que, já em edições anteriores, terá tentado transferir para ali o certame. Paulo Cunha e Silva diz que o Pavilhão Rosa Mota seria uma solução que a câmara veria com bons olhos, mas admite que a rotunda é mais apetecível para os participantes na feira. “Ali é um outdoor visível, um local que intercepta pessoas e onde a feira se afirma naturalmente”, diz.

Câmara não vai custear
O vereador congratula-se ainda com “o grande processo negocial” que permitiu que, este ano, “não seja a câmara a custear a feira”. Paulo Cunha e Silva explica que o certame “não estava orçamentado”, pelo que não haverá um suporte financeiro da autarquia à edição deste ano da Feira do Livro. O apoio da autarquia será, por isso, de ordem logístico.

O PÚBLICO tentou, sexta-feira, ouvir a APEL sobre as mudanças na Feira do Livro do Porto, mas tal não foi possível.  

No ano passado, a Câmara do Porto, então liderada por Rui Rio, e a APEL não conseguiram chegar a acordo sobre as condições em que a feira se realizaria nesta cidade, pelo que esta não se realizou. Em causa esteve, segundo as partes, o apoio financeiro exigido pela APEL e que o município se recusou a prestar.

Quando a Feira do Livro abandonou o Pavilhão Rosa Mota e se instalou na Avenida dos Aliados, em 2009, a APEL e a câmara assinaram um protocolo, por quatro anos, no qual estava definido que, durante esse período, o município apoiaria o evento com uma comparticipação financeira de 300 mil euros. Assim, entre 2009 e 2012, a câmara apoiou a feira com 75 mil euros anuais, mas no final da vigência do protocolo, o município recusou-se a continuar a apoiar o certame nos mesmos moldes, por entender que a razão para aquele apoio financeiro – a transferência da feira para a avenida e a necessidade de adquirir novos pavilhões para esse efeito – já estava ultrapassada.

Em Maio, Rui Rio ainda se dizia disponível para “dialogar” com a APEL, mas o mal-estar entre as duas entidades era visível e, na mesma altura, em plena assembleia municipal, o autarca declarava: “A APEL assumiu a postura de ou é com os 75 mil euros ou não há [feira]. É pesado dizer que não há Feira do Livro, é impopular e quem está do lado de lá sabe isso, mas comigo essa postura não resulta”. Na mesma altura, a APEL confirmava que, em 2013, não haveria Feira do Livro no Porto porque já não havia tempo e porque não era possível dialogar com a câmara.

Nova casa, nova data
A Rotunda da Boavista que vai receber, de novo, a Feira do Livro, não é a mesma que a acolheu durante décadas. No âmbito da requalificação urbana associada à construção da rede de metro, o espaço foi objecto de um projecto do arquitecto Siza Vieira, nunca completo (previa a instalação de uma cafetaria que nunca foi construída). À primeira vista, parece estranho que mais de cem expositores caibam na rotunda (em 2012 foram 126), mas fontes ligadas ao processo garantem que tal não será um problema. Os clientes habituais da Feira do Livro também terão, provavelmente, de adaptar o seu calendário à nova data do certame. É que, nos últimos anos, a Feira do Livro do Porto acontecia entre o final de Maio e meados de Junho (excepto em 2010, quando decorreu entre 1 e 20 de Junho), mas essa época já foi, no ano passado, a escolhida para a realização da feira em Lisboa e deverá voltar a sê-lo este ano, pelo que os frequentadores da feira no Porto poderão ser convidados a comprar livros um pouco mais tarde, lá para Julho. Com a esperança, claro, que não chova.